Rio de Janeiro, 14 de Agosto de 2026

Governo colombiano espera mediação da ONU em acordo com rebeldes

Quinta, 14 de Agosto de 2003 às 10:26, por: CdB

O governo do presidente da Colômbia, Álvaro Uribe, espera que as Nações Unidas intermedeiem o processo de paz com os paramilitares, assim como com as guerrilhas das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) e com o Exército de Libertação Nacional (ELN).

A ministra das Relações Exteriores, Carolina Barco, antecipou na noite desta quarta-feira, em Bogotá, que o Governo já pediu a colaboração da ONU nesse sentido, depois de esclarecer em uma audiência parlamentar que seu país não propôs a esse organismo o envio de "capacetes azuis".

— Por enquanto, não vêm capacetes azuis — disse a chanceler na saída de uma sessão reservada da Comissão II da Câmara de Representantes, responsável pelos assuntos exteriores, de defesa e segurança nacional.

Barco acrescentou que seu governo pediu às Nações Unidas "que nos acompanhem no processo que vai avançando com as Autodefesas" e que espera uma decisão.

— Mas estamos falando agora mais de uma assessoria, de um acompanhamento — prosseguiu Barco, que coincidiu assim com um desvio do acordo recentemente alcançado pelo Governo e pelas Autodefesas Unidas da Colômbia (AUC, paramilitares) dentro das conversações feitas no final do ano passado.

As partes assinaram no último dia 15 de julho o chamado Acordo de Santa Fé de Ralito, no qual encerram a fase exploratória que começaram e se declaram dispostos a abrir um processo formal de paz. O convênio compromete o grupo de ultradireita a uma desmobilização gradual de seus cerca de 13.000 soldados, que deve começar no final deste ano e terminar em dezembro de 2005.

No acordo, as partes "pedem à comunidade internacional que apóiem os esforços para a defesa e o fortalecimento da democracia colombiana e a sua colaboração na desativação dos fatores de violência que afetam a Colômbia".

Barco lembrou que o Governo de Uribe pediu há um ano ao secretário-geral da ONU, Kofi Annan, que acompanhasse o país no "processo integral" proposto para o alcance de uma saída negociada para o conflito armado interno, de quatro décadas de duração.

— Eles (Nações Unidas) neste momento estão nos ajudando a ver se podemos chegar a essas conversações — com as Farc e o ELN, declarou Barco.

Depois de rejeitar durante meses os "bons ofícios" que a ONU aceitou manter na Colômbia, gestão que está nas mãos de James Lemoyne, assessor especial de Annan para o país, as Farc propuseram há cinco semanas ao secretário-geral do organismo um contato direto.

A maior guerrilha do país nomeou como representante Raúl Reyes, membro do "secretariado" do grupo e porta-voz principal no fracassado processo de paz mantido de 1999 a 2002 com o governo do então presidente Andrés Pastrana.

A titular da pasta de Exteriores observou que a mesma participação da ONU foi solicitada para o ELN, segunda maior guerrilha colombiana, que se mostrou reticente em manter contato com a Administração de Uribe.

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