A China está se preparando para combater eventuais surtos da gripe aviária nos próximos meses e treina cientistas e profissionais da área de saúde em todo o país para diagnosticar a doença em seres humanos e em animais, afirmou um importante pesquisador.
Surtos do vírus H5N1, que mataram 70% das pessoas infectadas neste ano, acontecem com frequência nas criações de ave do território chinês sem serem detectados. Mas isso precisa mudar, afirmou Guan Yi, um microbiologista da Universidade de Hong Kong.
- Estamos treinando cientistas e técnicos em 21 províncias e em várias cidades. O objetivo é diagnosticar o H5N1 em seres humanos e em animais - disse o cientista em uma entrevista. - Atualmente, os criadores queimam ou enterram as aves mortas, ninguém liga como elas morreram. Se isso não mudar, teremos uma situação muito pior que a da Sars. Só quando impedirmos a circulação do vírus em animais, as pessoas estarão a salvo.
Especialistas da área de saúde, entre os quais integrantes da Organização Mundial da Saúde (OMS), divulgaram alertas afirmando que o H5N1 poderia detonar uma pandemia nos próximos meses e matar até 50 milhões de pessoas em todo o mundo.
O vírus provocou a morte de 32 pessoas na Tailândia e no Vietnã neste ano, quando milhões de galinhas, de patos e de outras aves foram sacrificados em toda a Ásia para impedir a disseminação da doença. A região também foi palco de uma epidemia de Sars no ano passado, que matou 700 pessoas. A China foi o país mais atingido.
O temor de que a gripe aviária ressurja na região aumentou nesta semana quando a Coréia do Sul encontrou uma forma menos virulenta da doença em um matadouro de patos. Também nesta semana, o Ministério da Saúde do Japão confirmou que ao menos uma pessoa do país teria sido contaminada pelo H5N1 depois de um surto entre aves em fevereiro. Há suspeita de que outras quatro pessoas do território japonês também tenham adquirido a doença. Nenhuma das cinco, porém, desenvolveu sintomas dela.