O governo da China garantiu que não vai rejeitar carregamentos de óleo de soja bruto do Brasil. A possibilidade de embargo deve-se ao fato de a quantidade de solvente no produto brasileiro ser superior à permitida pela legislação chinesa.
O compromisso foi acertado entre a missão de técnicos do Ministério da Agricultura, a Associação Brasileira da Indústria de Óleos Vegetais (ABIOVE) e o diretor-geral do Escritório de Segurança Alimentar do Ministério da Quarentena, Li Yanping. A missão chegou à China no dia 17 deste mês. O retorno está marcado para amanhã.
A informação é do chefe da Divisão de Cooperação Técnica e Acordos Sanitários Internacionais do Ministério da Agricultura, Odilson Ribeiro. Segundo ele, não houve nenhum embargo antes do acordo ser firmado. O Brasil vende para a China US$ 450 milhões de óleo de soja em bruto, o que corresponde a 30% das exportações do produto.
O governo chinês também decidiu aceitar carregamentos com 0,2 ppm (partes por milhão) do fungicida Carboxin nos carregamentos de soja em grão vindos do Brasil. Em 2004, aquele país não admitia o uso do fungicida nas cargas. Por isso, muitos navios de soja foram barrados e tiveram que retornar ao Brasil.
Na China o máximo de solvente por quilo do óleo refinado é de 100 miligramas. O produto brasileiro é bruto e tem um teor de cerca de 600 miligramas por quilo. O solvente é usado para separar o óleo da parte sólida da soja. Para Ribeiro, "a missão concluiu que não haverá prejuízo para exportação do óleo de soja do Brasil, mesmo se houver um teor maior de solvente do óleo de soja bruto exportado pelo Brasil".
Para Odilson, o acordo é racional.
- O Brasil exporta o óleo bruto não refinado. Ele é usado mais para fins industriais, como para produção de tintas. Você não precisa ter padrões de consumo humano para um óleo que vai ser industrializado. Lá (na China) eles podem refinar. Quando refina o nível de solvente diminui - explicou.
Governo chinês diz que não vai rejeitar óleo de soja brasileiro
Sexta, 21 de Janeiro de 2005 às 17:05, por: CdB