O presidente Luiz Inácio Lula da Silva desembarca dia 3 de junho, em Nova Délhi, para uma visita oficial marcada pelos desafios de quadruplicar o comércio Brasil-Índia até 2010 e tirar do campo retórico a já anunciada parceria estratégica entre os dois países.
À sua espera estará uma missão de empresários liderada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) atraída pelos planos indianos de injetar US$ 350 bilhões na melhoria da infra-estrutura do país até 2012 e atenta a potenciais negócios nas áreas de tecnologia de informação e biocombustíveis.
Lula, que faz sua segunda visita ao país em três anos, participará de dois eventos empresariais às margens de seus compromissos políticos.
Na prática, o exercício bem-sucedido de ambos os governos de liderarem juntos o G-20 - grupo de economias em desenvolvimento que atua na negociação do capítulo agrícola da Rodada Doha da Organização Mundial do Comércio (OMC)- será posto em xeque nas relações econômico-comerciais dos dois países.
A ambiciosa meta prevê um salto da corrente de comércio de US$ 2,41 bilhões, em 2006, para US$ 10 bilhões em 2010 e a possível superação do déficit para o Brasil, de US$ 537,3 milhões no ano passado.
Esse objetivo foi traçado em abril com base no fato de o comércio bilateral ter dobrado entre 2004 e 2006 - de US$ 1,207 bilhão para US$ 2,41 bilhões - e na expectativa de expansão do limitado acordo de preferências tarifárias firmado entre o Mercosul e a Índia em 2005.
"Precisamos consolidar esse processo de parceria estratégica com a Índia para explorar nossas competências recíprocas", diz o embaixador Roberto Jaguaribe, subsecretário-geral de Assuntos Políticos do Itamaraty.
"A China não deixa um segmento produtivo brasileiro em paz. A Índia não é assim. O país é referência em várias áreas, uma democracia real e sempre nos propôs parceria ativa no cenário internacional. É inevitável para o Brasil ter uma relação especial com a Índia."
O estudo "As Relações Comerciais Brasil-Índia: Oportunidades para o Brasil", concluído na sexta-feira pela CNI, mostra claramente que ambos os países não competem de forma significativa no mercado mundial. Mas constata que o comércio bilateral é muito limitado e de difícil expansão.
A Índia, hoje, ocupa fatia menor que 1% nas exportações brasileiras. Três produtos respondem por 48% das vendas ao mercado indiano: óleos brutos de petróleo, sulfetos de minério de cobre e óleo de soja. O Brasil tampouco conta com parcela maior que 1% nos embarques indianos.
A Índia, porém, pode figurar entre os mercados mais dinâmicos para os produtos brasileiros. Seu traço protecionista - a tarifa de importação mais aplicada a produtos de interesses do Brasil é de 30% - levou a CNI a recomendar ao governo brasileiro a negociação de acordos comerciais mais ambiciosos.
"Nenhum dos dois países é um sócio relevante para o outro. Apesar disso, há muitas oportunidades a serem exploradas por empresas brasileiras no mercado indiano", diz o estudo.