Rio de Janeiro, 04 de Setembro de 2026

Governo brasileiro vai ao Egito pela primeira vez desde 1870

Segunda, 08 de Dezembro de 2003 às 07:12, por: CdB

Na última visita de um líder brasileiro ao Egito, em 1870, d. Pedro II tinha entre suas principais tarefas fotografar os históricos monumentos do país. Nesta segunda-feira, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva estará certamente ocupado com temas como comércio bilateral e assuntos internacionais, neste que é o país de sua viagem com maior influência política do Oriente Médio.

Junto com a Arábia Saudita, o Egito desfruta de uma posição privilegiada no xadrez político regional. Seu presidente, Hosni Mubarak, esteve por trás de praticamente todas as negociações de paz entre palestinos e israelenses, e é o articulador " oficial " de acordos de cessar-fogo com grupos extremistas como Hamas e Jihad Islâmica.

O país travou três guerras com Israel (em 1948, 67 e 73), mas foi o primeiro a selar um acordo inédito de paz com o Estado judeu, para indignação dos vizinhos árabes. O acordo lhe propiciou laços comerciais bilaterais de grande importância para a economia egípcia.

Com 71 milhões de habitantes, o Egito tem também um mercado potencial para o Ocidente. Com a ajuda de um programa do FMI nos anos 90, o governo conseguiu reverter o caos econômico das décadas anteriores. Mubarak deu início a um processo de liberalização econômica que trouxe crescimento e investidores externos ao país.

A inflação caiu de 20% em 1991 para 3% em 2000, o déficit fiscal foi domado e uma taxa única de câmbio introduzida. O setor privado ganhou peso, na medida que o governo dava início à privatização.

A situação econômica, porém, voltou a deteriorar nos últimos anos. Para acalmar os eleitores, irritados com as políticas liberalizantes de Mubarak, o governo diminuiu o ritmo das mudanças, provocando queda no investimento externo. Ataque terrorista em 1997 em Luxor - um dos pontos turísticos do país - reduziu brutalmente a receita com o turismo. O 11 de setembro, as tensões em Israel e a guerra no Iraque deram outro golpe à economia do país.

Economistas, porém, calculam que as reformas do governo propiciarão uma retomada da atividade econômica, com expansão de 3% do PIB este ano.

As agruras econômicas são um entrave ao desenvolvimento sustentado, mas o futuro político do Egito também provoca incertezas. No mês passado, Mubarak passou mal num discurso no Parlamento e foi retirado às pressas do plenário. Foi o primeiro sinal público de fraqueza do presidente de 75 anos, 22 destes no poder. Médicos disseram ser gripe, mas o incidente abriu o debate no país sobre quem assumirá quando Mubarak morrer.

Analistas acreditam que o presidente está esperando a hora certa para nomear seu filho, Gamal, como vice. De fato, o jovem Mubarak ganhou destaque recentemente ao promover reformas em seu Partido Nacional Democrático (PND).

Lula passará dois dias no Egito. Além de preencher uma lacuna histórica centenária, a escolha do país constitui uma chance para ampliar o diálogo político e estimular as trocas comerciais. Já houve uma aproximação dos dois países na OMC devido à entrada do Egito no G-20. O Egito também sedia a Liga Árabe, cuja próxima reunião Lula defende que seja feita no Brasil, com parceiros do Mercosul.

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