Rio de Janeiro, 27 de Setembro de 2026

Governo argentino tenta controlar manifestação de rua

Terça, 27 de Julho de 2004 às 13:37, por: CdB

O presidente da Argentina, Néstor Kirchner, que perde popularidade por não enfrentar os freqüentes protestos de desempregados no país, agora aposta em uma estratégia de colocar a polícia nas ruas. Ele está montando um grande aparato de segurança, para dissuadir as manifestações violentas.

O novo ministro da Justiça do país, Horacio Rosatti, que substituiu Gustavo Beliz, disse nesta terça-feira que sua meta é deter os manifestantes, conhecidos como piqueteiros. O titular anterior do cargo entrou em choque com Kirchner devido a diferenças na forma de responder aos protestos.

- Vamos buscar pontos em comum e isso se consegue depois do diálogo - afirmou Rosatti.

Apesar de o governo manter um contato próximo com as organizações de piqueteiros, algumas entidades mais radicais realizaram, recentemente, ataques violentos à Assembléia Legislativa de Buenos Aires (capital), a sedes de empresas e até contra um cassino.

- O desafio é baixar o nível de irritação gerado em vários setores e conversar com eles. Essa questão das manifestações torna as relações mais tensas, porque há interesses contrapostos e temos de conversar muito sobre o tema - acrescentou.

Na Argentina, há cerca de 15,5 milhões de pobres em uma população de cerca de 37 milhões de pessoas. Desde que Kirchner chegou ao poder, em maio de 2003, as manifestações de piqueteiros aumentaram.

Uma pesquisa divulgada na semana passada mostrou que, entre maio e junho, a popularidade do presidente caiu de 73% para 63%. A queda se deveria a reclamações da população para que Kirchner mantenha a ordem nas ruas.

Apesar disso, Kirchner continuou sem reprimir os manifestantes por temer que uma medida dessas poderia provocar mais violência.

O momento crítico para o governo ocorreu há dez dias quando piqueteiros, prostitutas e travestis tentaram ocupar o Congresso, na capital Buenos Aires, e conseguiram barrar a discussão de uma lei que eleva as penas para algumas contravenções.

Uma semana depois, ante o anúncio de um novo protesto na mesma região, Kirchner montou uma megaoperação de segurança com dezenas de agentes que vigiavam o prédio, mas sem uso de armas de fogo.

O protesto ocorreu sem incidentes, o que foi considerado um êxito pelo governo.

Rosatti afirmou que essa estratégia será mantida, enfrentando o problema dos piqueteiros com medidas graduais, em operações dissuassivas, não violentas, que impeçam o limite estreito que separa uma manifestação de rua do calor da violência.

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