Rio de Janeiro, 26 de Março de 2026

Governo argentino teme possível vitória de Geraldo Alckmin

Segunda, 02 de Outubro de 2006 às 14:17, por: CdB

A confirmação do segundo turno nas eleições para presidente foi recebida com preocupação pelo presidente argentino, Néstor Kirchner e seu parlamento que até a última semana estavam confiantes com relação a uma possível vitória de Lula no primeiro turno. Eles temem que com a hipotética vitória do candidato tucano, a Argentina terá complicações para continuar desfrutando a política condescendente do atual govero brasileiro com as exigências comerciais argentinas.

O sub-secretário de Integração e Mercosul da Chancelaria argentina, Eduardo Sigal, declarou à imprensa que "não existe dúvida alguma da conveniência de uma vitória de Lula. Kirchner já o disse, e esse mesmo clima é o que se percebe em todo o governo". O próprio presidente, disse em junho passado que a ligação comercial entre o Brasil e a Argentina se consolidaria em "um segundo mandato de Lula". Na ocasião, Kirchner disse que "a maioria dos argentinos espera isso". Para Kirchner, um eventual sumiço de Lula do cenário do poder sul-americano eliminaria um aliado "progressista" no qual apoiar-se nas negociações internacionais.

Os industriais argentinos, que desde 1999, alardeavam uma suposta "invasão" de produtos brasileiros no mercado local, haviam conseguido, com a ajuda de Kirchner, arrancar do governo Lula uma série de concessões, que implicaram em acordos "voluntários" de auto-restrição de exportações das empresas brasileiras para a Argentina. Com Alckmin no poder, eles temem, esse período de condescendência acabaria.

Para o vice-presidente da União Industrial Argentina (UIA), José Ignacio de Mendiguren, o presidente Lula "é um homem comprometido com a industrialização argentina" e que "Alckmin voltaria qo jogo de não ouvir os argentinos".

Os mercados em Buenos Aires ficaram tranqüilos perante a possibilidade de segundo turno no Brasil, já que Lula e Alckmin são encarados como homens que não teriam reações inesperadas com o setor financeiro.

Tags:
Edições digital e impressa