Rio de Janeiro, 28 de Setembro de 2026

Governo argentino amplia medidas de proteção contra produtos brasileiros

O governo da presidente Cristina Kirchner ampliou, nesta segunda-feira, sua política protecionista para impedir o que classificou de "invasão" de produtos estrangeiros. Setores mais prejudicados são o de calçados, brinquedos e eletrodomésticos. (Leia Mais)

Segunda, 15 de Junho de 2009 às 08:26, por: CdB

O governo da presidente Cristina Kirchner ampliou, nesta segunda-feira, sua política protecionista para impedir o que classificou de "invasão" de produtos estrangeiros. Após uma série de medidas adotadas, que vão desde licenças não automáticas até a imposição de cotas para produtos estrangeiros, muitos deles fabricados no Brasil, a decisão do governo vizinho estabelece o sistema de ''um a um'' nas importações de produtos de setores como o de calçados, brinquedos e eletrodomésticos.

O anúncio, feito para uma centena de empresários pelo Secretário de Comércio da Argentina, Guillermo Moreno, nesta manhã, indica que nesses setores, caso os empresários queiram importar, terão que exportar a mesma quantidade, em dólares, de produtos que trouxerem para o mercado interno. Além da proteção das indústrias nacionais, a medida anunciada pela Argentina visa frear a crescente fuga de capitais percebida naquele país. Nos últimos dois anos, saíram do país US$ 38 bilhões. A medida também visa gerar divisas próprias do setor privado para a importação de produtos. Desta forma, os empresários deverão assinar uma declaração em cartório na qual se comprometem a exportar a mercadoria com valor equivalente à importada no prazo de um ano.

Criticado por setores empresariais de seu país, por não ter havido um provisionamento para exportações nos níveis exigidos agora pelo govreno argentino, o secretário Guillermo Moreno devolveu os comentários em tom debochado:

– Ora, pega a malinha e vai para Angola exportar alguma coisa!.

Cobrança

Diante do protecionismo argentino, que abala as exportações brasileiras, fabricantes de calçados do Rio Grande do Sul voltaram a falar, nesta segunda-feira, que poderão suspender vendas para o país vizinho da coleção primavera-verão, ante a demora de mais de 150 dias para liberação das licenças de importação. Parlamentares, entidades dos dois setores e empresas cobraram ação do governo federal para que a Argentina cumpra prazo de até 60 dias, previsto nos acordos do Mercosul.

Segundo o representante do Ministério da Indústria, do Desenvolvimento e do Comércio Exterior (MDIC), Luiz Raimundo Fernandes, em conversa com jornalistas, as medidas contra preços rebaixados dos produtos chineses, que estão roubando mercado dos brasileiros na Argentina, devem amenizar a situação de queda nas vendas e demora nas liberações.

Fernandes aposta em possibilidade de remoção de dificuldades em reunião entre representantes dos dois governos e de entidades setoriais previstas para 1 e 2 de junho em Buenos Aires.

– A ideia é salvar 2009. É complicado negociar com os argentinos e eles dizem o mesmo dos brasileiros – disse Fernandes. Sobre medidas contra preços baixos da China, alvo de investigação do ministério, Fernandes garantiu que poderão provocar corte total de compras do país asiático por um período.

Presidente da Associação das Indústrias de Móveis do Estado (Movergs), Maristela Longhi também apontou que o impacto do protecionismo vizinho, para o setor, está nas demissões e na queda a apenas US$ 44 mil das vendas em abril.

– O país foi o principal comprador do móvel gaúcho em 2008, quando faturamos US$ 36,6 milhões – disse.

Já a diretora de exportações da Piccadilly, indústria líder nas vendas de calçados gaúchos para a Argentina, Micheline Grings Twigger, alertou em recente encontro setorial, que a empresa estabeleceu prazo até meados de junho para definir se venderá a coleção primavera-verão para os vizinhos. Micheline justificou que a demora de até 150 dias na liberação de licenças de importação pelo país, com 30% das vendas externas da marca, implica risco do produto novo chegar atrasado ao varejo vizinho, comprometendo vendas. A diretora cobrou ação rápida do governo federal.

– Já havia demora há anos, mas se agravou no final do ano passado, com a crise e o protecionismo dos países, o que está tornando inviável o nosso negócio – afirmou a jornalistas.

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