As eleições afegãs, marcadas inicialmente para setembro, podem ser adiadas para meados de outubro, disse uma fonte oficial nesta sexta-feira. O presidente Hamid Karzai afirmou repetidamente em recentes viagens internacionais que as eleições vão acontecer em setembro.
Mas em pronunciamento nos seus idiomas natais, o persa e o pashto, ele mencionou a possibilidade de que o pleito aconteça em mizan, mês do calendário afegão que vai de 22 de setembro a 21 de outubro.
A lei eleitoral prevê que a eleição seja anunciada com 90 dias de antecedência. Para que ela ocorra ainda em setembro, portanto, deve ser anunciada na sexta-feira ou no sábado, segundo a interpretação da lei, disseram autoridades eleitorais.
Omar Samad, porta-voz da Chancelaria, disse que ainda há divergências entre afegãos e estrangeiros sobre a data, mas que uma decisão deve ser tomada "nos próximos dias".
"Isso significa que pode ocorrer nos primeiros dias de outubro, o que ainda está no prazo legal.
A versão oficial é de que realizaremos as eleições em mizan", afirmou. "A posição do governo é de que as eleições serão realizadas conforme o prometido. Se alguns dias antes ou depois, isso é uma tecnicalidade."
A eleição já havia sido adiada de junho por causa da falta de segurança e de problemas no registro eleitoral. Se ela não acontecer até meados de outubro, terá de ser postergada para o segundo trimestre de 2005, por causa da chegada do mês islâmico do ramadã, dedicado ao jejum, seguido pelo rigoroso inverno afegão.
Os Estados Unidos disseram nesta quinta-feira que não vêem problema em adiar o pleito por mais alguns dias, mas um importante funcionário da Comissão Eleitoral defendeu que a votação aconteça antes do final de setembro.
A Organização das Nações Unidas (ONU) disse, também nesta quinta-feira, que o mais importante é que as eleições sejam livres e justas, realizadas num ambiente de segurança para eleitores e candidatos.
Na última quarta-feira, o embaixador norte-americano no Afeganistão, Zalmay Khalilzad, disse que as eleições aparentemente ocorrerão em setembro, mas ressaltou que ainda é preciso mais avanços no desarmamento de milícias que podem prejudicar a votação. Ele rejeitou a idéia de que o governo Bush queira acelerar a eleição afegã para ter um trunfo político quando for a sua própria vez de se submeter às urnas nos EUA, em novembro.