A base governista no Senado e o ministro das Relações Institucionais, José Múcio, iniciaram, nesta terça-feira, as conversas em torno dos nomes que poderão integrar a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Petrobras. A bancada governista articula para que senadores da base aliada ocupem os dois principais postos de comando, tanto a Presidência quanto a Relatoria da CPI. As maiores bancadas tradicionalmente ocupam os cargos, no caso o PT e o PMDB mas, dessa vez, até o acordo que é normalmente fechado para que a oposição assuma um desses postos será dispensado.
Os nomes mais prováveis para assumir os postos chaves da CPI são os de Romero Jucá, líder do governo, e Aloizio Mercadante, líder do PT, embora Jucá tenha sido um dos peemedebistas que não procuraram evitar a criação da CPI, na sexta. Ele estaria descontente com a condução do governo no caso da demissão do seu irmão da Infraero. Ainda assim, setores do governo acreditam que, uma vez superada a questão familiar, ele estaria disposto a trabalhar em prol do Planalto.
Com a maior bancada na Casa, o bloco PMDB-PP ficou com três vagas na CPI. Além de Jucá, senadores ligados a Renan Calheiros e José Sarney ficarão com as outras: Almeida Lima e Gilvam Borges, respectivamente. Com três vagas também ficará o bloco de PT, PR, PSB, PRB e PC do B, apenas o nome de Mercadante está assegurado. Ideli Salvatti (PT) também está cotada. Ainda há uma vaga para o PTB e outra para o PDT.
A oposição ficará com três vagas. Segundo o regimento, uma para o PSDB e duas para o DEM. As indicações devem ser feitas até a próxima terça.
Escândalos
Segundo o presidente Lula, um dos motivos para a instalação da CPI da Petrobras é a série de escândalos que vem surgindo no Senado nos últimos meses. Um dos pivôs dos acontecimentos na Casa, o empresário Marcelo Zoghbi, filho do ex-diretor de Recursos Humanos do Senado, João Carlos Zoghbi, afirmou em depoimento à polícia do Senado que o pai não tinha conhecimento sobre as atividades de suas empresas, principalmente, a Contact Assessoria de Crédito, com o Senado. A Contact era autorizada a conceder empréstimos consignados a servidores da Casa e João Carlos Zoghbi tinha participação direta na concessão das autorizações.
De acordo com o advogado de Marcelo, Celso Lemos, João Carlos Zoghbi só teve conhecimento dos negócios do filho com o Senado em 2007.
– Ele (João Carlos Zoghbi) não tinha noção deste empreendimento. Houve uma refrega na família – acrescentou referindo-se a um mal-estar criado no meio familiar no momento em que o pai soube dos empreendimento do filho.
O diretor-geral da Polícia do Senado, Pedro Ricardo Carvalho, disse à imprensa que Marcelo assumiu também que usou a ex-babá do pai, Maria Izabel, para “proteger” o nome da família.
– Dizendo ele que era para proteger o nome da família. Como ele também era funcionário público, não queria aparecer. Como policial, a gente está acostumado a tomar depoimentos. A gente achou muito estranho. Mas acreditar é uma outra história – disse o policial em relação ao depoimento de Marcelo Zoghbi e o fato do pai não saber que o filho tinha empresas trabalhando no Senado.
Marcelo Zoghbi foi ouvido até o fim da noite passada, no inquérito instaurado para investigar denúncias contra João Carlos Zoghbi. De acordo com a revista Época, a Contact seria uma das três empresas que teriam sido criadas com o envolvimento de João Carlos Zoghbi, e teria recebido recursos de bancos que concedem empréstimo consignado a servidores do Senado.
Além de Marcelo, também foram ouvidos Marlise Terezinha Von Borstel, da empresa Contact Assessoria de Crédito, e Eric Filipe Morais de Medeiros, representante de bancos para créditos consignáveis. João Carlos Zoghbi falou nesta terça-feira à Polícia do Senado.