A base governista que integra a Comissão Parlamentar Mista (CPMI) dos Cartões Corporativos aprovou, na manhã desta terça-feira, a convocação do secretário de Controle Interno da Casa Civil, José Aparecido Pires, e do assessor do senador Álvaro Dias (PSDB-PR), André Fernandes.
- Vamos aprovar. Seria muito ruim que a CPI concluísse seu trabalho sem explicar esse fato - disse o relator, deputado Luiz Sérgio (PT-SP).
Aparecido seria o responsável pelo vazamento do suposto dossiê com gastos presidenciais na gestão de Fernando Henrique Cardoso. Ele teria encaminhado os dados por e-mail para André Fernandes. Ontem, o líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR), confirmou que Aparecido pediu afastamento do cargo. A informação, no entanto, ainda não é confirmada oficialmente pelo Palácio do Planalto.
E o depoimento do reitor da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), Ulysses Fagundes Neto, marcado para hoje na CPMI, foi cancelado. A justificativa, segundo Luiz Sérgio, é que o convite não foi feito em tempo hábil.
- Ele alegou que foi avisado em cima da hora - disse. A convocação foi entregue ao reitor na sexta-feira. O reitor é acusado de ter gastos pessoais em viagens pagos com cartão corporativo.
Luiz Sérgio disse que a ausência do reitor não irá comprometer as investigações e nem o relatório final.
- O reitor não vai acrescentar nada - disse. Segundo ele, o gasto descontrolado com cartão corporativo já foi evidenciado.
Oposição
Enquanto os governistas tentam levar ao plenário da CPMI dos Cartões Corporativos o suspeito de vazar os dados sigilosos de FHC e Dona Ruth Cardoso, André Fernandes, a oposição insiste em ouvir o ex-secretário de Controle Interno da Casa Civil, José Aparecido Pires, acusado de compliar as informações no banco de dados a que teve acesso. Ele teria encaminhado os dados por e-mail para André Fernandes.
O ministro das Relações Institucionais, José Múcio Monteiro, já disse que é favorável à convocação dos dois. Na véspera, André prestou um depoimento de mais de três horas ao delegado da Polícia Federal Sérgio Menezes, que investiga o vazamento dos dados. Aparecido também foi chamado a depor pela Polícia Federal.
No início da noite desta segunda, o líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR), informou que o secretário pediu afastamento do cargo, o que foi confirmado pelo Palácio do Planalto, na manhã desta terça.