Os líderes do governo e dos partidos no Senado recebem nesta segunda governadores de todo o País em audiência na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), para tentar fechar o relatório da reforma tributária.
Os senadores ainda tentarão convencer os governadores a aceitar algumas de suas "inovações", mas a maior parte deve ser abandonada para evitar polêmicas. É o caso da transformação do IPI em imposto seletivo sobre combustíveis, bebidas e fumo. "Não há como fazer agora essa mudança. Não temos tempo para ficar nessa discussão", afirmou o relator Romero Jucá (PMDB-RR), que prometeu fechar seu relatório até quarta-feira.
Um alívio para governadores de Estados mais ricos ou mais pobres, de partidos aliados e de oposição ao governo, que desembarcam em Brasília tensos com o rumo nas negociações e com uma disposição comum: combater as novidades que surgiram no Senado.
Antes do encontro com o relator, a grande maioria vai se reunir com líderes e senadores de seus partidos, para afinar o discurso. "Algumas mudanças como a guinada violenta do IPI são tão absurdas, que parece até que foram postas para embolar o jogo", suspeita o governador da Bahia, Paulo Souto (PFL), ao confirmar a reunião dos pefelistas com dirigentes e a bancada do partido no Senado.
Os oito governadores do PSDB também farão uma reunião prévia antes de seguirem para o Congresso. "A idéia é chegarmos à CCJ com uma posição fechada", antecipa o tucano da Paraíba, Cássio Cunha Lima.
- Estamos vendo muitos alquimistas ao longo dos últimos tempos, propondo questões novas que não foram discutidas previamente e serão muito difíceis de serem aprovadas. O que nós precisamos é rapidamente construir consenso - emenda o governador de Minas Gerais, Aécio Neves.
Segundo Aécio, a idéia do tucanato é afinar o coro das cobranças.
- Eu estarei lá para cobrar que os compromissos firmados pelo governo federal em relação à Cide, por exemplo, sejam honrados, que o Fundo de Desoneração das Exportações seja constituído de R$ 8,5 bilhões de reais e que haja uma definição clara também em relação ao Fundo de Desenvolvimento Regional, do qual Minas certamente participará - completa.
Aécio Neves pondera, ainda, que não se deve perder a oportunidade de uma legislação única de ICMS, o que certamente desestimulará a sonegação em vários estados da federação. "Fora isso, onde não houver consenso é preciso, talvez, deixar as novas questões para uma discussão mais aprofundada no futuro."
O relator da reforma, Romero Jucá, admitiu que a principal mudança da emenda constitucional - a unificação das alíquotas do ICMS, poderá ter de voltar à votação na Câmara dos Deputados.
Na prática, isso praticamente inviabiliza que o novo ICMS seja promulgado até o final do ano junto com a prorrogação da CPMF, mas Jucá ainda acredita em um "esforço concentrado" dos deputados para aprovar as alterações feitas pelos senadores.
Governadores ainda tentam barrar mudanças na tributária no Senado
Domingo, 12 de Outubro de 2003 às 19:21, por: CdB