Rio de Janeiro, 23 de Outubro de 2026

Governador participa de debate pela recuperação do Galeão

Sexta, 08 de Agosto de 2008 às 06:55, por: CdB

Um negócio para ser administrado pelo setor privado. Este é o ponto de vista do governador Sérgio Cabral a respeito da gestão do Aeroporto Internacional Tom Jobim, no Rio de Janeiro. A idéia do governador e outras alternativas para solucionar a situação precária em que se encontra o principal aeroporto do estado serão debatidas na Assembléia Legislativa do Rio de Janeiro na próxima segunda-feira, durante o evento, intitulado Tom Jobim: o futuro é agora – soluções para a retomada da importância estratégica do Aeroporto Internacional para o estado e o País.

O presidente da Alerj, deputado Jorge Picciani (PMDB), ressaltou que o aeroporto demanda obras emergenciais.

– O Rio precisa de um aeroporto à altura do título de segundo maior do País e de porta de entrada do Brasil – afirmou Picciani.

Segundo o presidente da Alerj, que presidirá os debates, "a população não pode estar sujeita a um aeroporto defasado, com infra-estrutura precária, gestão deficiente e problemas que vão desde filas demoradas para embarque e desembarque a escadas rolantes paradas e goteiras nos tetos dos terminais". O governador se disse "angustiado porque o aeroporto Tom Jobim está muito ruim mesmo, e é muito triste ver um dos aeroportos mais importantes do Brasil nessa situação". Cabral destacou que a malha aeroportuária brasileira precisa melhorar.

– O presidente Lula também está muito angustiado com isso. A situação já melhorou bastante com o ministro da Defesa, Nelson Jobim, e com a presidente da Anac, Solange Vieira, que é uma grande executiva, mas acho que pode melhorar mais – frisou o governador.

Com relação à gestão, ele lembrou que existem exemplos de sucesso no mundo inteiro, de aeroportos administrados pelo setor privado.

– Acho que a Infraero podia até se associar, criando empresas específicas, em que ela entraria junto, teria resultados, mas que a gestão fosse privada por regras de investimento, de compromisso, como é feito quando se concessiona estrada, metrô, água e telefonia – explicou.

Atualmente, o aeroporto funciona com capacidade ociosa de 40%, segundo dados da Infraero. Para poder suprir a demanda e aumentar o fluxo de passageiros dos atuais oito milhões ao ano para cerca de 15 milhões (capacidade máxima da estrutura atual), o aeroporto necessita de obras. Elas vão desde a recuperação das instalações para embarque e check-in até reformas das pistas, passando pela modernização dos pátios de carga e das áreas de estocagem.

Segundo Picciani, além dos problemas emergenciais, o cenário econômico favorável e a previsão de sediar eventos esportivos de grande porte tornam a recuperação do aeroporto uma questão estratégica.

– Temos a necessidade de investimentos em infra-estrutura aeroportuária para receber mais de 500 mil turistas durante a Copa do Mundo de 2014. Também precisamos adequar nosso aeroporto às exigências que possibilitarão sua candidatura como cidade-sede dos Jogos Olímpicos de 2016 – salientou Picciani.

O governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral, lideranças políticas, empresários, representantes das principais companhias áreas, das empresas concessionárias e das agências de aviação do País estarão presentes para discutir as soluções para a retomada da importância estratégica do aeroporto. Segundo dados da Infraero, as obras de revitalização do Tom Jobim estão orçadas em R$ 400 milhões e devem durar três anos. Dessa verba, R$ 40 milhões estão previstos no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), para serem usados ainda em 2008.

Entre os anos de 2002 e 2007, o aeroporto recebeu R$ 63 milhões em investimentos, de acordo com a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac). Em 2007 e 2008, em plena crise aérea, foram consumidos R$ 70 milhões em obras de sinalização e iluminação de pátios e pistas, e na substituição de equipamentos de navegação. Para o mês que vem, a Infraero já anunciou a publicação do edital de licitação das obras do Terminal 2. A licitação do Terminal 1, publicada duas vezes, não teve interessados.

Construído em meados dos anos 1990, o Terminal 2 ainda não foi concluído. E o Terminal 1, mais antigo, enfrenta problemas como infiltrações, falta de infra-estrutura de comunicação e áreas de embarque e ckeck-in precisando de reformas. Pelo porte e posição geográfica, especialistas avaliam que o Aeroporto Tom Jobim tem potencial para se tornar um centro distribuidor de vôos regional na América do Sul, tanto para cargas quanto para passageiros.

Os lojistas que atuam no aeroporto também se queixam de que a disposição das lojas as torna pouco atrativas para o público e não traz comodidade para os passageiros que gostariam de fazer compras enquanto aguardam seus vôos. Para os empresários e comerciantes que lidam com comércio exterior, falta também um terminal de cargas expressa que agilize o envio e recebimento de mercadorias.

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