O governador do Tibet, Qiangba Puncog, disse, nesta quarta-feira, que quem tentar sabotar a passagem da tocha Olímpica pela região será “severamente punido”. A ameaça, direcionada a manifestantes pró-independência tibetana, foi feita em uma coletiva de imprensa em Pequim, na qual Qiangba também defendeu a repressão do Exército chinês à recente onda de protestos na sua província.
- A situação dos direitos humanos de 95% dos tibetanos nunca esteve melhor - disse o governador.
Qiangba reafirmou que a rota original da tocha será mantida. A chama passará pelo Tibet em 20 de junho a caminho de Pequim. Ele ainda enfatizou que a passagem será “pacífica e bem sucedida”, mas reconheceu que espera encontrar resistência.
- Eu não duvido que eles venham a criar problema durante a passagem da tocha pelo Tibet - disse em referência aos manifestantes pró-independência.
Protestos
Ainda nesta quarta-feira, na região de Gansu, que é vizinha do Tibet, protestos de monges budistas interromperam uma visita oficial da imprensa internacional ao monastério de Labrang.
O grupo, de cerca de quinze monges, acenou bandeiras tibetanas e deu declarações à imprensa.
Eles negaram que tenham intenções separatistas, mas pediram pelo retorno do Dalai Lama e por maior respeito pelos direitos humanos.
- O Dalai Lama precisa voltar ao Tibet. Nós não estamos pedindo por independência tibetana, estamos apenas pedindo por direitos humanos, nós não temos direitos humanos agora - disseram os religiosos.
Argentina
O governo da cidade de Buenos Aires destinará 1,2 mil policiais federais para a passagem da tocha olímpica pela capital argentina, nesta sexta-feira.
O anúncio foi feito nesta terça-feira pelo ministro de segurança do governo portenho, Guillermo Montenegro, e pelo subsecretário de Esportes, Francisco Irarrázal.
- Serão 1,2 mil policiais federais, além de 1,5 mil seguranças da prefeitura (que não costumam usar armas). Acreditamos que é um policiamento suficiente para o percurso, que será de 14 quilômetros. O esquema de segurança será especial, mas queremos que as pessoas possam ver a tocha. Não queremos que ocorra aqui o mesmo que ocorreu em Paris. Achamos que ali ocorreram exageros - disse Irarrázal.
Na segunda-feira, protestos contra a repressão da China no Tibet atrapalharam a passagem da tocha por Paris. O percurso da tocha na cidade teve de ser reduzido, e a cerimônia final da passagem foi antecipada.
A passagem da chama por Londres, no domingo, também foi marcada por protestos. O prefeito de Buenos Aires, Maurício Macri, disse não acreditar que haverá distúrbios na passagem do símbolo das Olímpiadas pela capital argentina.
- Será um bom exemplo que ela aqui não seja apagada - afirmou.
Maradona
A Argentina será o único país de língua espanhola, e o único na América Latina, a receber a tocha. A previsão é de que a tocha chegará a Buenos Aires no final desta quinta-feira, vinda de São Francisco, nos Estados Unidos.
De acordo com a TV América, ela será mantida em um lugar seguro até a sexta-feira.
No total, a expectativa é de que a tocha permanecerá pelo menos 32 horas na capital argentina. A tocha sairá do bairro de Porto Madero, passando pelo centro portenho e o bairro de Palermo até chegar ao Clube Hípico, no mesmo local.
Seu percurso contará com a participação de 80 atletas, segundo um dos participantes. Entre os convocados estão o ex-jogador Diego Armando Maradona e a ex-tenista Gabriela Sabatini. Maradona, segundo a imprensa argentina, ainda não tinha confirmada.
Percurso
O percurso da tocha Olímpica ao redor do mundo tem atraído protestos contra a situação dos direitos humanos na China e a favor a independência do Tibet.
Em Londres, no fim-de-semana, manifestantes tentaram apagar a tocha, atacando