Em documento distribuído à imprensa, nesta sexta-feira, o movimento Via Campesina denuncia, em carta da Organização Não Governamental Survival International, a pedido de indígenas no Mato Grosso, a exploração das terras dos índios por plantadores de soja, principalmente o governador do Estado, Blairo Maggi. Ele é denunciado como um dos principais responsáveis pela degradação do solo na região e autor de uma devastação territorial sem precedentes, para a plantação de soja e criação de gado, em solo amazônico. Com o título A soja nos mata, representantes das aldeias Enawene Nawe apelam ao Ministério da Justiça e ao Incra por uma solução.
Leia os principais trechos da carta:
A soja nos mata
"As florestas nas terra dos índios Enawene Nawe, no Estado do Mato Grosso estão sendo dizimadas a passos largos para que a terra seja destinada à plantação de soja e criação de gado. O governador do Estado do Mato Grosso e barão da soja, Blairo Maggi, um dos maiores produtores de soja do mundo, planeja construir represas hidrelétricas na terra dos índios para proporcionar energia a sua indústria de tratamento de grãos. Maggi está pressionando o governo federal para que as reservas indígenas não sejam reconhecidas em seu Estado.
"Em 2004, três quartos da soja do Reino Unido procedia do Brasil. Não há como distinguir se a soja exportada foi cultivada no Amazonas ou em outras partes do país. Os índios Enawene Nawe, que viviam isolados no meio da mata, foram contatados pela primeira vez em 1974 e somem hoje apenas 420 pessoas. É um dos poucos povos indígenas e tribais do mundo que não comem carne vermelha. Em contrapartida, pescam mediante intrincados métodos nos rios e recolhem mel selvagem.
'Kawari, um ancião Enawene, disse:
- Toda esta terra pertence aos yakitiri (espíritos ancestrais), que são os proprietários dos recursos naturais. Se esgotarem a terra e os peixes, os yakitiri se vingarão e matarão os Enawene Nawe.
"O diretor da Survival (uma Organização Não Governamental que atua junto as índios), Stephen Corry declarou:
- As áreas de pesca dos Enawene Nawe, que são indispensáveis, não foram demarcadas. Caso elas desapareçam, todo o modo de vida da tribo cessará e eles estarão destruídos como povo. O governo Lula deve cumprir suas promessas com os povos indígenas e reconhecer a terra dos Enawene Nawe antes que seja tarde demais.(...)
"Para outras tribos isoladas, já é demasiado tarde. No Estado de Rondônia, a tribo akuntsu está reduzida a seis pessoas, embora um outro homem solitário seja considerado o último sobrevivente de seu povo. Traumatizado por suas experiências com o homem branco, vive atualmente em uma caverna e lança flexas em quem tentar se aproximar dele.
"O líder enawene nawe Marikeroseene declarou:
- Nos últimos anos, a devastação tem aumentado espetacularmente. Foi duplicada. A situação é insustentável.
"A Espanha, segundo importador europeu de soja, importa cerca de 6 mil toneladas do Brasil (67% de toda a soja importada anualmente), sendo que 600 toneladas são farinha de soja brasileira (18%), segundo dados publicados pela Eurostat. A ONG Survival International organizou uma campanha, dirigida ao governo brasileiro, para que cesse esta situação. Quem puder, escreva uma carta, um fax ou mande um e-mail para os endereços abaixo, com o seu próprio texto ou o texto a seguir.
"Estou muito preocupado/a com o futuro da tribo Enawene Nawe do Estado do Mato Grosso. Suas terras ancestrais na área de Rio Preto estão sendo devastadas a passos larg