O governador de Roraima, Flamarion Portela, enviou uma carta ao presidente nacional do PT, José Genoino, solicitando seu afastamento temporário do quadro de filiados do partido em razão das investigações sob as quais está o Estado de Roraima.
No documento, Portela pede afastamento por 90 dias como forma de poupar a direção do partido e os filiados em geral de constrangimentos e "favorecer uma investigação munuciosa, serena e imparcial, que esclareça os fatos, puna os responsáveis e tranquilize a opinião pública estadual e federal".
Questionado por jornalistas, o presidente nacional do PT, José Genoino, negou que tenha originado do partido o pedido de afastamento. Segundo Genoino, a decisão foi uma iniciativa do governador.
O dirigente petista informou que a solicitação está sendo aceita e registrada e será apresentada ao Diretório Nacional, que se reúne neste fim-de-semana, em Brasília.
Genoino ressaltou que, nesta reunião, o DN aprovará a criação de uma comissão, coordenada pela secretária de Assuntos Federativos do PT, Dalva Figueiredo, para acompanhar permanentemente as investigações em Roraima.
"A direção do partido defende as investigações e apuração de qualquer suposta irregularidade", destacou.
Leia a íntegra da carta enviada por Portela:
Companheiros e Companheiras,
Em vista das irregularidades administrativas herdadas por meu governo - e que colocam, neste momento, o Estado de Roraima sob investigação federal - solicito de V. Sa. afastamento temporário, pelo prazo de 90 dias, do quadro de filiados do Partido dos Trabalhadores, partido ao qual me filiei e com o qual quero aprender a fazer política, e que respeito e admiro por colocar a ética acima de tudo.
Quero, desta forma, poupar a direção do Partido, bem como meus companheiros e companheiras, de constrangimentos, e favorecer uma investigação minuciosa, serena e imparcial, que esclareça os fatos, puna os responsáveis e tranqüilize a opinião pública estadual e federal, que é o que sempre quis e favoreci com meus atos e com as medidas que tomei.
Reitero que, em momento algum, fui omisso ou conivente com as irregularidades e, como demonstro no documento em anexo, no qual detalho o desenvolvimento do processo, tomei medidas saneadoras desde o primeiro dia útil de meu primeiro mandato como governador (08.04.2002). Eventuais demoras se devem ao descalabro administrativo que encontrei.
Coube-me enfrentar, desde então, interesses poderosos e escusos incrustados na máquina administrativa do Estado e realizar, pela primeira vez na história de Roraima, concursos públicos para a contratação de servidores, com a valiosa participação da Universidade de Brasília.
Estou certo de que essas ações moralizadoras serão reconhecidas e a justiça será feita, mesmo que essas, como todos são sabedores, têm me custado ameaças de morte, extensivas aos meus familiares.
Pelo exposto opto por aguardar o desfecho dos acontecimentos, sem gerar incômodos aos meus companheiros e companheiras de legenda, que tanto admiro e respeito. Quero, mais do que ninguém, o esclarecimento cabal dos fatos, para, ao final, retornar à militância partidária, na luta por ética e transparência na vida pública.
Fraternalmente,
Francisco Flamarion Portela
Governador do Estado de Roraima