O governador Jarbas Vasconcelos (PMDB) elogiou a postura do presidente Luiz Inácio Lula da Lula (PT) de "jogar abertamente", no que diz respeito às investidas para ter todo o partido em sua base. "Me parece que esse novo estilo do presidente, adotado desde o final do ano passado, é mais lógico, mais racional. Porque Lula não quer apenas um lado, ele quer todo o PMDB com ele. Isso não é surpresa para ninguém", comentou. Porém, Jarbas disse ser pouco provável que tal cenário se consolide, tendo em vista o processo de desagregação pelo qual a sigla vem passando.
"O PMDB é uma federação de objetivos, de interesses, de pessoas que têm os mais diversos projetos. Não é tarefa fácil resgatar sua identidade e ter candidatura própria, como não é fácil, também, o PMDB se coligar com o PT ou com o PSDB", explicou, durante visita ao Festival do Jeans, em Toritama (a 167 quilômetros do Recife).
Questionado se seguiria a determinação da maioria do partido, no caso do PMDB optar pelo apoio à reeleição de Lula, Jarbas desconversou. Em mais uma crítica clara ao seu partido, ele argumentou que tinha dificuldades de falar sobre futuro, especialmente sobre o futuro da legenda.
"Esse processo de desagregação, de confusão do PMDB não é um fato novo. Não é do governo Lula. É um processo de mais ou menos uma década. Então, para mim é muito difícil falar sobre isso. Prefiro que vocês (Imprensa) tenham um pouco de paciência. Ainda estamos no quinto mês do ano", justificou.
O peemedebista enfatizou que adota a posição que as urnas o colocaram - a de oposição. E, como já anunciou que só tratará de eleição no Estado em 2006, assinalou que manterá a mesma postura no plano nacional. "Eu defendo isso desde o início. Como defendo também ajudar na governabilidade, ajudar o Governo, e não levar o governo ao estrangulamento. Ter essa postura clara dentro do PMDB e de público. Questão eleitoral, só para o ano", afirmou. Sobre a tática do presidente de escolher entre os partidos de oposição seu candidato a vice, a fim de ampliar a base, Jarbas voltou a destacar a forma aberta de jogar de Lula. "O que está implícito nisso é que o presidente quer buscar a reeleição e sabe que com o PT somente é difícil. É preciso, talvez, o PT, o PCdoB, o PL e um partido grande, como o PMDB", disse.
O peemedebista, todavia, descartou a possibilidade de compor a chapa com Lula. "Me perguntaram se poderiam colocar meu nome nas prévias e eu disse que não. Eu já comuniquei isso oficialmente", salientou. O governador estará hoje em Brasília para mais uma conversa com o presidente. Apesar da pauta ser administrativa, Jarbas admite a possibilidade de tratar, também, de questões políticas.