O governador da Paraíba, Cássio Cunha Lima (PSDB), disse nesta terça-feira, em Campina Grande, que está recebendo ameaças de morte através de telefonemas, e-mails anônimos e até por programas de rádio do Sistema Correio de Comunicação. Ele atribuiu essas denúncias à sua decisão de modificar o sistema penitenciário no Estado, acabando com o tráfico de drogas, corrupção e tortura.
- As ameaças são as mais diversas possíveis. Além de e-mails, posso registrar e lamentar profundamente até um telefonema anônimo de um suposto policial numa entrevista da Rádio Correio FM de Campina Grande. Nada disso vai me intimidar. Mesmo contrariando interesses poderosos que passam, por exemplo, pelo Sistema de Comunicação Correio da Paraíba, não vou me intimidar - afirmou.
O governador disse acreditar que estas ameaças partem de pessoas e grupos não satisfeitos com a postura de moralização da vida pública e administrativa da Paraíba, citando entre outros, agentes penitenciários envolvidos com a tortura e a extorsão de presos, empresários detidos por conta de fraudes no Projeto Cooperar e agentes fiscais que já foram demitidos.
Mesmo assim, Cássio não acha necessário aumentar sua segurança pessoal sob responsabilidade do Gabinete Militar. De acordo com ele, seria uma tolice pensar que vai ser possível afastar com determinadas providências alguém que queira atentar contra a sua integridade física.
- Até o papa, um homem santo, não foi protegido. Avalie, então, um pecador como eu. Então, não devo ter preocupações maiores em relação a este aspecto - destacou.
Ele reafirmou que o processo de humanização dos presídios paraibanos não tem volta.
- Tem pessoas me ameaçando. Não tem problema, o que não quero é deixar de ser digno da confiança que o povo da Paraíba me entregou - afirmou.
Disse que também vai promover mudanças em setores que ninguém pensou em transformar ao longo da história política e administrativa da Paraíba.
- O sistema prisional está carcomido e contaminado com pessoas travestidas de servidores públicos que estão do lado dos bandidos. Isto precisa mudar.