Usando um gorro eletrônico, o cientista austríaco Peter Brunner olha fixamente para a tela de um computador portátil e aí, sem nem mesmo pestanejar, começa a compor, letra a letra, uma mensagem que aparece em uma tela gigante acima de sua cabeça. "O-L-Á", escreve, usando apenas o poder do pensamento, surpreendendo o público presente: cientistas e curiosos reunidos em Paris por ocasião da segunda edição do salão de Pesquisa e Inovação.
Peter Brunner e dois de seus colegas do centro público de pesquisas de Wadsworth (em Nova York) puseram à prova na capital francesa uma nova forma de comunicação entre cérebro e computador. Graças às dezenas de eletrodos inseridos no gorro eletrônico, este assombroso equipamento capta sinais elétricos emitidos pelo cérebro e os digitaliza para que o computador seja capaz de traduzi-los.
Sem intervenção de nervos ou músculos, a interface "oferece uma possibilidade de comunicação e de autonomia para as pessoas que sofrem paralisias totais" e que não podem nem falar, nem se movimentar, explicou Eric Sellers, outro cientista do centro de Wadsworth. Os cientistas trabalham há 20 anos na conversão do pensamento em ação, mas só agora conseguiram, quando a tecnologia começa a sair dos laboratórios para se tornar em aparelhos em serviço ao homem.