O primeiro-ministro britânico, Gordon Brown, que enfrenta um novo escândalo sobre o financiamento do Partido Trabalhista, admitiu que a formação recebeu 600.000 libras (mais de 1,2 milhão de dólares) em doações não declaradas, valor que será devolvido.
– Doações políticas não declaradas são inaceitáveis – afirmou Brown em sua entrevista coletiva mensal, um dia depois do tesoureiro e secretário-geral do Partido Trabalhista, Peter Watt, ter renunciado ao cargo depois da revelação de que um empresário fez uma doação secreta ao partido.
– O dinheiro não foi legalmente declarado e será devolvido – disse Brown aos repórteres reunidos em Downing Street. Watt entregou a carta de demissão na segunda-feira, depois que um jornal revelou no domingo que o empresário David Abrahams doou centenas de milhares de libras ao partido sem revelar sua identidade.
O premier, cuja popularidade está em queda por causa da crise do banco Northern Rock e da recente perda de dois CDs com os dados confidenciais de 25 milhões de britânicos que recebiam subsídios familiares, disse que ficou a par da doação secreta apenas no sábado à noite.
– Foram cometidos erros que devem ser corrigidos – declarou Brown, para quem a demissão de Watt era necessária.
– O que aconteceu é completamente inaceitável, não pode ser justificado de nenhuma maneira, e este comportamento não deve se repetir nunca mais no futuro – afirmou Brown.
Para o primeiro-ministro, a demissão de Watt é um primeiro passo para corrigir os erros. Ele tenta apresentar uma resposta rápida para minimizar os efeitos deste novo escândalo, que pode custar a seu governo e a seu partido novas quedas nos índices de popularidade.
Pesquisas recentes apontam que Brown, que há dois meses tinha 12 pontos de vantagem sobre o líder conservador, David Cameron, está atualmente empatado com este no que diz respeito a administração da economia.
Este novo escândalo explodiu poucos meses depois da polícia britânica ter concluído uma investigação sobre o financiamento dos partidos na Grã Bretanha, que revelou a suposta "venda" pelo Partido Trabalhista de cargos de honra a multimilionários em troca de empréstimos secretos para financiar a campanha eleitoral de 2005. Mais de cem pessoas foram interrogadas pela Scotland Yard durante a investigação, que sacudiu o mundo político e ofuscou os último meses de Tony Blair no poder.
A procuradoria não fez nenhuma acusação oficial contra as pessoas que supostamente prometeram vagas na Câmara dos Lordes (que são designadas, não eleitas) em troca de financiamento para seus partidos. Nos últimos dias, Brown também foi criticado por comandantes militares, que não aceitam sua postura em relação às Forças Armadas britânicas.