O Google fez uma ameaça chocante de deixar a China, maior mercado mundial de Internet em número de usuários, depois que hackers invadiram contas de email de ativistas dos direitos humanos.
O anúncio do Google surgiu em meio a crescentes tensões entre China e Estados Unidos quanto à liberdade da Internet. A secretária de Estado norte-americana, Hillary Clinton, deve anunciar na semana que vem uma política de tecnologia para ajudar cidadãos de todo a acessarem a Web sem censura.
A China conta mais de 350 milhões de internautas e um mercado de buscas online com movimento anual de mais de US$ 1 bilhão.
Apesar de seus atrativos, as empresas que desejem operar no país precisam acatar rígidas regras de censura que proíbem a discussão ou exibição de páginas sobre tópicos delicados que variam da independência do Tibete ao proscrito movimento religioso Falun Gong.
Em seu mais recente entrevero chinês, o Google anunciou ter descoberto um sofisticado ataque às contas de email de ativistas dos direitos humanos na China que usam o seu serviço Gmail, e que mais de 20 outras empresas haviam sofrido ataques semelhantes.
– Essas ataques e a vigilância descoberta, combinados às tentativas de limitar ainda mais a liberdade de expressão na Web, nos últimos 12 meses, nos levam a concluir que devemos revisar a viabilidade de manter operações na China –, anunciou em comunicado o vice-presidente jurídico do Google, David Drummond.
– Reconhecemos que isso bem pode significar o fechamento do Google.cn e possivelmente nossos escritórios na China –, afirma o texto.
A China é um dos poucos mercados em que o Google não lidera; a empresa detém 30% do mercado e é a segunda colocada atrás da Baidu, que responde por 60% das buscas chinesas na Web.
As ações do Google caíram em 1,3% em transações posteriores ao fechamento dos pregões, com a notícia de que a empresa pode sair da China, enquanto as da Baidu subiam em 6,8%. As ações da Sina, outra empresa chinesa de buscas, subiram em 1,3%.