Alberto Gonzales, aspirante a se tornar o próximo secretário de Justiça dos Estados Unidos, expressou nesta quinta-feira no Senado seu compromisso de cumprir as normas internacionais contra a tortura.
- Estou e estarei comprometido com que os Estados Unidos cumpra suas obrigações legais - tanto nacionais como internacionais, disse Gonzales em seu discurso perante o Comitê Judicial do Senado, que deve recomendar sua confirmação no cargo ao plenário da Câmara.
Ele fez uma menção especial à Convenção de Genebra sobre prisioneiros de guerra, cujo respeito por parte de Washington garantiria "proteção-chave" aos militares americanos no exterior.
Gonzales, principal assessor legal da Casa Branca, recebeu muitas críticas da oposição democrata e organizações de direitos humanos por escrever um memorando, em 25 de janeiro de 2002, no qual assinalava que algumas cláusulas da Convenção de Genebra eram "obsoletas".
- Não acho que a Convenção seja obsoleta - assegurou hoje Gonzales, muito questionado acerca desse documento e de outro no qual estabeleceu uma definição lassa sobre o que constitui tortura aos prisioneiros capturados na guerra contra o terrorismo e no Iraque.
Embora não se espere que Gonzales tenha problemas para conseguir a recomendação do Comitê e depois a confirmação do plenário do Senado, as audiências de hoje geraram um enorme interesse devido às implicações com o escândalo de maus-tratos nas prisões de Abu Ghraib (Iraque) e na base americana de Guantánamo (Cuba).
- Os relatórios de abusos em Abu Ghraib também me preocuparam e me ofenderam muito - afirmou Gonzales.
Enquanto isso, a Casa Branca disse hoje que não divulgará novos documentos acerca da participação de Gonzales na elaboração da política que permitiu maus-tratos e torturas nos interrogatórios aos prisioneiros capturados no Afeganistão e no Iraque.
O principal assessor legal do presidente dos EUA, George W. Bush, foi questionado também por sua velha amizade com o governante, que se remonta aos tempos em que ambos viviam no Texas.
- Haverá momentos em que o procurador-geral dos Estados Unidos terá que fazer respeitar a lei. Não pode estar preocupado com amigos ou colegas na Casa Branca - avisou o senador democrata Patrick Leahy.
Gonzales afirma compromisso contra tortura e maus-tratos
Quinta, 06 de Janeiro de 2005 às 12:47, por: CdB