Rio de Janeiro, 19 de Abril de 2026

Golpe militar no Brasil teve apoio das elites, constata historiador

O golpe militar vivido pelo país, em 1964, contou com interesse das elites e o apoio dos Estados Unidos, segundo Delmo Oliveira Arguêlhes, professor de História e Relações Internacionais do Centro Universitário de Brasília (UniCeub). Ele concedeu entrevista, neste domingo, sobre os 42 anos do golpe. (Leia Mais)

Domingo, 02 de Abril de 2006 às 09:59, por: CdB

O golpe militar vivido pelo país, em 1964, contou com interesse das elites, segundo Delmo Oliveira Arguêlhes, professor de História e Relações Internacionais do Centro Universitário de Brasília (UniCeub), em entrevista a jornalistas neste domingo. Arguêlhes afirma ainda que houve apoio norte-americano aos golpes de Estado na América Latina, como parte da política externa dos Estados Unidos na época. O golpe militar no Brasil foi deflagrado há 42 anos, exatamente no dia 31 de março.

- Eles não aceitariam dentro dessa área de influência, nenhuma guinada à esquerda, já bastava Cuba. Não seria tolerado mais nada, principalmente num país como o Brasil - analisou o professor.

Para Arguêlhes, o que predominou, no caso brasileiro, no entanto, foi a ascensão de grupos antes reprimidos que acabaram por pedir o golpe.

- As classes dominantes optaram pelo golpe. No momento que antecedeu o golpe, a própria classe média foi às ruas pedir o golpe de Estado. Isso que foi a marcha pela família - destacou.

O professor dividiu a ditadura, no Brasil, em duas partes. A primeira iria de 64 a 74, um período classificado por Arguêlhes como "endurecimento do regime" e de aumento da repressão.

- De Castelo Branco até Médici, foi o período mais radical da ditadura, com maiores desaparecimentos, repressão e tortura - relatou.

Ele enfatizou que esse período coincidiu com a era do milagre econômico. Com o fim dessa era, veio então a abertura política, classificada por Arguêlhes de lenta e gradual.

- Geisel estabelece a democracia relativa e Figueiredo fala que vai impor a democracia, nem para isso tenha que prender e arrebentar. É bem o método da democracia à moda militar - registrou.

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