Um debate sobre os 40 anos do início do regime militar reuniu ontem na Universidade Federal Fluminense, em Niterói, os professores Paulo Baia e Eli Diniz, que expuseram duas observações sobre o movimento em relação ao Estado, partidos e sindicatos. "Não apenas somos autores e analistas, mas também atores", destacou o professor Baia, titular de Ciências Políticas da UFRJ.
Ele dissecou sobre as idas e vindas do Conselho de Defesa dos Direitos da Pessoa Humana (CDDPH) e de seu papel tanto no regime - quando foi inibido - quanto na república atual, quando se consolidou, embora de maneira ainda tímida. "O Conselho permanece no governo Lula, apesar da atuação pífia do secretário Nilmário Miranda" - criticou.
Os 21 anos de ditadura foram comentados em rápidas análises pela professora Eli Diniz, da UFRJ. Ela frisou que diante de um cenário instável sócio-econômico, o golpe era inevitável, mas acredita que "faltou um levante popular" para inibir a ação dos militares. Segundo ela, setores da sociedade como o empresariado e a burguesia colaboraram em muito para a concretização do golpe. "Desde então, o empresariado fica sob a égide de um regime autoritário, que abrange os sindicatos, as finanças e a identidade coletiva".
"Eu vejo o golpe de 64 como conseqüência das ações e escolhas dos atores estratégicos, que a partir de um momento tornaram inviáveis os direitos humanos", disse a professora. "Os militares não agiram sozinhos e sim integrados com a elite e o empresariado". Esses mesmos empresários, ela lembra, tornam-se os combatentes do regime diante da crise do sistema ditatorial, quando se faz necessária a abertura política.
O simpósio 1964/2004 Ontem, Hoje e Depois, realizado nos auditórios da UFF e da UFRJ (IFCS), no Centro do Rio, tem o apoio do Correio do Brasil.