O golpe de Estado em Honduras que depôs o presidente Manuel Zelaya há quase quatro meses teve uma inesperada vítima política para o presidente de facto Roberto Micheletti, seu filho. Aldo Micheletti, de 24 anos e formado em direito, foi escolhido candidato a deputado pelo Partido Liberal antes do golpe militar de 28 de junho, quando Zelaya foi expulso do país por militares armados, mas não poderá participar da eleição marcada para 29 de novembro porque seu pai agora é o presidente de facto.
O filho mais novo de Micheletti renunciou na quarta-feira à candidatura pelo Departamento de Yoro, no centro-norte do país, uma vez que a Constituição proíbe que familiares de funcionários do alto escalão concorram a vagas no Congresso.
A violação da Constituição foi o argumento que utilizou o presidente de facto para justificar o golpe de Estado contra Zelaya, que está abrigado na embaixada do Brasil na capital Tegucigalpa lutando por sua restituição há mais de um mês.
Roberto Micheletti foi nomeado presidente pelo Congresso no lugar de Zelaya, uma ação que não conta com o reconhecimento da comunidade internacional, mas sim das autoridades eleitorais que estudavam o caso antes que Aldo Micheletti apresentasse sua renúncia, de acordo com a imprensa local.
– Vou cumprir o fiel cumprimento da mesma (a Constituição) porque a amo da mesma forma (que a meu pai) – disse o herdeiro do presidente de facto a veículos de comunicações locais.
Roberto Micheletti acusa Zelaya de ter violado a Constituição ao lançar uma consulta popular que poderia abrir caminho para sua reeleição, algo proibido pela Carta Magna.
O presidente de facto se opõem à restituição de Zelaya, prolongando a pior crise política da América Central desde a invasão dos EUA ao Panamá em 1989.
Na quarta-feira, a chancelaria hondurenha denunciou o Brasil na Corte Internacional de Justiça de Haia, argumentando que o governo estava descumprindo o princípio da não intervenção em assuntos de outros países.
Golpe de Honduras custa caro a filho de Micheletti
Quinta, 29 de Outubro de 2009 às 08:37, por: CdB