A JBS, que hoje protagoniza o maior escândalo político na História brasileira, contribuiu majoritariamente para o sucesso do golpe de Estado, em curso desde Maio do ano passado
Por Redação - de São Paulo
A queda da presidenta Dilma Rousseff (PT), eleita com mais de 54 milhões de votos em 2014, foi financiada por empresários e instituições ligadas à ultradireita, no país e no exterior. Internamente, segundo a confissão do publicitário Elsinho Mouco, marqueteiro do presidente de facto, Michel Temer, a campanha que resultou em milhares de brasileiros vestidos de verde e amarelo, batendo panelas pelas ruas das principais capitais do país, foi integralmente financiada com dinheiro da iniciativa privada.
A JBS, que hoje protagoniza o maior escândalo político na História brasileira, contribuiu majoritariamente para o sucesso do golpe de Estado, em curso desde Maio do ano passado. Ao seu lado, a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo e empresas de fachada, com sede nos Estados Unidos, também contribuíram para a queda de Dilma.
Impeachment
O empresário Joesley Batista, que gravou conversas nada republicanas com Temer, teria pago a Mouco cerca de R$ 300 mil em dinheiro para conduzir parte da campanha golpista. A um dos diários conservadores paulistanos, Mouco revelou que seu contrato era para atuar nas redes sociais.
— Para minha surpresa, ele chamou Dilma de ingrata, grossa e incompetente. E disse: temos que tirá-la — relata o marqueteiro ao jornal.
Mouco revelou também que havia outros financiadores da estratégia golpista.
— Em 2016, empresários, sindicatos patronais, movimentos sociais (MBL, Vemprarua, Endireita Brasil etc), muita gente queria o impeachment da Dilma. Uns contrataram carro de som, uns contrataram bandanas, pagaram por bandeiras, assessoria de imprensa. Teve gente que comprou camisa da seleção brasileira e foi pra rua. O Joesley estava nessa lista. Ele se ofereceu para custear o monitoramento digital nessa fase — relata.
Apoio ao golpe
O publicitário confirma, ainda, o pagamento em dinheiro, no valor de R$ 300 mil.
— Eu pago isso. Vamos derrubar essa mulher — teria dito Joesley, antes de ordenar a um auxiliar que pegasse o dinheiro e colocasse numa pasta. Com os recursos, Mouco afirma ter contratado uma grande empresa de assessoria de imprensa, pago impostos e ficado com uma margem dos lucros.
Mouco desmente, no entanto, a própria versão dos fatos. Em nota divulgada no dia 19 de maio, quando pagamento de R$ 300 mil veio a público, ele negou tudo. Naquele momento, Elsinho disse ter sido contratado para fazer campanha para Júnior Friboi, que tentou concorreu ao governo de Goiás. Alegou que também prestara serviços digitais para a JBS, emitindo notas fiscais.
Leia, adiante, a nota do publicitário:
Nota à imprensa
1- Eu possuo relação com o grupo JBS desde 2010, quando fui procurado para desenvolver trabalho de marketing político para a pre-candidatura ao governo de Goiás de um de seus sócios, Júnior Batista, que vem a ser irmão de Joesley. Em 2014 fui novamente contratado com o mesmo objetivo, mas, pela segunda vez, Junior desistiu da candidatura. Em ambas as ocasiões as notas fiscais foram emitidas normalmente.
2- Em 2012, ao contrário do que foi mencionado, não fui o responsável pelo marketing político da campanha de Gabriel Chalita à Prefeitura de São Paulo. Não tive contrato nem contato algum com a família Batista, da JBS.
3- Com relação ao trabalho de comunicação digital mencionado pelo delator, em meados de 2016 recebi um convite de Joesley para ir à sua casa. Chegando lá, me reuni com ele, com seu pai José Batista e seu irmão Wesley. Discutimos o momento político do país e as possibilidades de Júnior Batista se candidatar. Depois desta introdução, comentei que vinha auxiliando o então vice-presidente Michel Temer com um trabalho de defesa digital. Joesley mostrou-se interessado em ajudar, bem como contratar o mesmo serviço para o seu Grupo. Isto pode ser confirmado pela troca de mensagens que mantivemos posteriormente.
4- Recentemente, no auge da crise provocada pela operação Carne Fraca, recebi uma mensagem de Joesley Batista me consultando quanto à minha disponibilidade de fazer novamente a defesa digital da JBS. Foi o último contato que tivemos.