Rio de Janeiro, 26 de Setembro de 2026

Goleiro de coração dividido em 1985, Serginho quer levar PAEC à elite

Quinta, 07 de Julho de 2011 às 13:05, por: CdB

Guilherme Franco,
Especial para o site da FPF

Revelado pelo São Paulo e um dos principais ídolos da Portuguesa nos anos 80, o técnico Serginho, de 53 anos relembrou sua carreira debaixo das três traves até o recente sucesso à frente de uma das equipes mais promissoras do futebol paulista. Aprovado em sua primeira peneira no tricolor paulista, o atual técnico do PAEC revelou seu carinho especial pelo clube do Morumbi, exaltou sua passagem no futebol goiano e previu seu futuro agora no banco de reservas.

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Apoiado pelos pais e disposto a seguir o sonho de ser jogador de futebol, Serginho partiu em busca de suas primeiras chances no esporte. Diferentemente da maioria dos atletas profissionais, o goleiro foi aprovado em sua primeira peneira no São Paulo Futebol Clube, em 1971, pela categoria dente de leite. Seu primeiro treinador no clube foi José Poy, principal inspiração na carreira e goleiro que adquiriu imensa identificação com a torcida são-paulina, pois atuou durante treze anos seguidos como titular.

Apesar de ter sido revelado no clube do Morumbi, Serginho nunca atuou como titular da equipe. Foram no total, dez anos de passe preso ao São Paulo, ou jogando como reserva, ou emprestado para clubes nacionais. Além do tricolor paulista, o goleiro atuou por Rio Verde (GO), Botafogo (PB), Vila Nova (GO), Inter de Limeira, Portuguesa, Goiás, São Bento, Portuguesa Santista, Araçatuba e São Caetano.

Sua principal passagem foi pela Portuguesa, onde conquistou o vice-campeonato do Campeonato Paulista de 1985, após perder para o São Paulo, por 2 a 1. Depois de rodar o Brasil como atleta de futebol, Serginho optou pela carreira de treinador, onde passou também pela Portuguesa, Seleção Brasileira Feminina e PAEC. Este último, equipe onde o comandante assumiu desde 2006 e que vem conquistando resultados cada vez mais satisfatórios no futebol paulista.

FPF: Foi uma surpresa a aprovação na primeira peneira no São Paulo?
Serginho: Sempre recebi muito apoio dos meus pais pela vontade de ser jogador de futebol. Talvez seja sorte, mas acredito que o São Paulo estava precisando muito de um goleiro na época em que participei da peneira. Felizmente fui aceito e foi muito gratificante atuar lá por anos. Sou agradecido profundamente, pois foi o São Paulo que aprimorou meus fundamentos e me deu a oportunidade de trabalhar com técnicos como José Poy e Mário Juliato.

FPF: Como foi conviver com a falta de oportunidades de ser titular?
Serginho: Nunca fui escalado como titular do gol do São Paulo. O máximo que consegui foi ficar duas vezes na reserva do Pascoalim, em 1975. Entretanto não tenho mágoa do clube, pelo contrário, se não fosse por eles eu não seria o goleiro que fui na minha carreira. Durante minha jornada como atleta conquistei diversos títulos por outras equipes.

FPF: Qual foi o melhor momento de sua carreira?
Serginho: Minha melhor fase como jogador profissional foi no Vila Nova (GO) e na Portuguesa. Quando estava no Vila Nova, conquistamos o tricampeonato Goiano em cima do Goiás, principal rival. Na primeira dessas decisões, eu tinha apenas 21 anos e foi algo inesquecível. Já na Lusa, chegamos ao vice-campeonato Paulista contra o São Paulo em 1985, e acabamos derrotados. Infelizmente o Careca estava em uma fase inestimável.

FPF: Como ficou o coração na decisão do Campeonato Paulista entre São Paulo e Portuguesa?
Serginho: O São Paulo é uma equipe que eu sempre terei muito carinho, mas a minha fase na Portuguesa estava muito boa e entrei para vencer. Nosso time tinha Luís Pereira, Esquerdinha e outros atletas muito renomados na época. Naquela final meu coração ficou dividido, mas tinha convicção de apresentar o meu melhor futebol para tentar levar a Portuguesa ao título. Infelizmente fomos superados com uma bela atuação do Careca.

FPF: Como foi a decisão de abandonar a carreira?
Serginho: Foi muito complicada, pois as lesões passaram a fazer parte da minha rotina. Aos 36 anos sofri uma contusão na panturrilha que me atordoava muito. Até como goleiro eu teria condições de jogar, mas decidi pendurar as chuteiras. Além das lesões, estava em busca de ficar mais tempo com a minha família, principalmente com meus filhos. Como atleta não podia acompanhá-los da forma como gostaria.

FPF: Você passou pelas categorias de base da Portuguesa e da Seleção Brasileira Feminina principal, mas seu melhor momento como treinador tem sido no PAEC?
Serginho: Estou no PAEC desde o início do projeto, em 2006. Comecei como preparador de goleiros e fui subindo até o posto atual de treinador. Com todo esse tempo, o clube se tornou algo muito especial na minha vida. A equipe tem crescido muito aqui em São Paulo, e acredito que nós próximos anos nós estaremos figurando em competições nacionais. Meu sonho é disputar a Série A1 do Paulista e quem sabe, jogar uma Série A do brasileiro.

FPF: Em quem você se inspira como técnico de futebol?
Serginho: Gosto muito do trabalho do Muricy Ramalho. Ele foi um exímio jogador e conseguiu transferir isso para se tornar um técnico de futebol. Uma das coisas que mais admiro nele é o fato de falar a linguagem do jogador. O atleta gosta disso e prova é, que ele conquistou títulos por onde passou.

FPF: Quando você era atleta do São Paulo, o Muricy era seu companheiro. Como era a relação com o técnico campeão da Libertadores?
Serginho: O Muricy sempre foi um jogador muito inteligente dentro das quatro linhas. Nós nos dávamos muito bem e até me lembro de uma situação engraçada. Nos anos 70, a moda dos cabelos grandes assolava os mais jovens, e até por isso, todos os atletas da categoria de base queria usar aqueles penteados exagerados. O problema era que os diretores do São Paulo não permitiam que os garotos deixassem o cabelo crescer. O Muricy era um dos jogadores que tinha esse perfil, e até tentava disfarçar molhando, mas durante o treino a farsa caia. Após um treinamento os cartolas vetaram essa moda, o que causou raiva do Muricy. Ele ficou sem ir em um treinamento, e quando os diretores perceberam a ausência do meia, logo o chamaram de volta e liberaram os penteados. Era muito mais fácil aceitar a vontade dele, do que perder um atleta da qualidade do Muricy.

FPF: Quais são seus planos para o futuro?
Serginho: Quero fazer história no PAEC. Não penso em sair do clube enquanto não levá-lo ao lugar onde ele pode chegar. O PAEC já faz parte da minha vida e vou retribuir da melhor forma possível. Não há como prever o futuro, mas com certeza quero conquistar muitos títulos aqui primeiro.

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