A montadora americana GM (General Motors), que enfrenta seu maior desafio desde a fundação, no início do século passado, e o risco de falir, ainda precisará revisar cerca de 1,5 milhão de veículos construídos entre 1997 e 2003 devido a riscos de incêndio, informou nesta terça-feira a rede de televisão CNN, citando a agência de segurança rodoviária norte-americana (NHTSA, na sigla em inglês).
A montadora realiza o recall de modelos das marcas Chevrolet, Buick, Oldsmobile e Pontiac, que são suscetíveis a um eventual risco de incêndio durante as manobras de freagem em caso de vazamento de combustível nos condutos de escapamento. A GM já havia feito o recall de 944.000 veículos em agosto de 2008, principalmente nos Estados Unidos, por um defeito de fabricação no sistema elétrico do pára-brisas, que também pode apresentar um risco potencial de incêndio.
Após receber US$ 13,4 bilhões de ajuda federal, a indústria cogitou nas últimas semanas a possibilidade de uma declaração de falência.
No Brasil, o quadro é diferente. Após quase seis meses após o anúncio da crise econômica mundial e a freada na produção das montadoras brasileiras, este segmento da indústria começa a pagar horas extras para conseguir atender à demanda por automóveis, aquecida após a redução do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), por determinação do governo federal. No primeiro trimestre deste ano, a indústria automotiva voltou a crescer e a GM, juntamente com a Volkswagen, retomou o ritmo de produção a níveis do período anterior à crise.
Em março último, as montadoras obtiveram o melhor resultado de vendas para aquela época do ano. Ao todo, foram 271.494 veículos vendidos, desde automóveis, comerciais leves, caminhões e ônibus, 17% a mais que em igual período de 2008. O primeiro trimestre também foi o melhor da história para a indústria, com o emplacamento de 668.314 veículos.
Em Gravataí (RS), onde são produzidos os modelos Celta e Prisma, da GM, nas contas do presidente do sindicato dos metalúrgicos local, Valcir Ascari, os cerca de 4,5 mil empregados recebem 22 minutos de hora extra por dia, além de trabalharem dois sábados por mês, como no período pré-crise. A produção na unidade, disse Ascari, também voltou aos níveis de setembro, com cerca de 880 carros por dia.
– A produção aqui está bombando – comemorou o sindicalista.
Em São José dos Campos e São Caetano do Sul (ambas em SP), a produção da GM atinge os níveis de 2007 e também há setores em que os funcionários fazem horas extras, informam os sindicatos locais dos metalúrgicos. Na unidade de São José dos Campos, a produção, que no auge da crise caiu a 500 carros por dia, está agora em cerca de 780 e estão sendo chamados de volta os onde 744 funcionários demitidos no ano passado.