Rio de Janeiro, 27 de Setembro de 2026

GM sai da concordata mais enxuta, para competir com indústria japonesa

Sexta, 10 de Julho de 2009 às 08:41, por: CdB

A General Motors sai da concordata com a imagem de uma montadora mais enxuta e pronta para recuperar consumidores norte-americanos e pagar recursos emergenciais obtidos do governo dos Estados Unidos. A concordata de 40 dias da GM, encerrada nesta sexta-feira, foi concluída com o fechamento de um acordo para vender suas principais operações e marcas, incluindo a Chevrolet e a Cadillac, para uma nova companhia a ser controlada majoritariamente pelo Tesouro dos Estados Unidos.

As vendas da montadora despencaram 36% durante junho quando pediu proteção judicial contra falência. Executivos disseram que o relançamento da companhia oferece uma chance para tentar quebrar a associação negativa dos consumidores.

– Eu realmente espero pelo momento em que estaremos operando no azul e o nome da companhia não será associado à concordata – afirmou Mark LaNeve, diretor de vendas da GM.

O presidente executivo, Fritz Henderson, já detalhou planos de tornar a companhia mais produtiva e menos burocrática, reduzindo o número de executivos. A GM está cortando sua força de trabalho administrativa em mais de 20% e pretende eliminar 6 mil empregos até outubro. Outro pilar do plano é o compromisso da GM de lançar mais carros de consumo eficiente de combustível e concentrar seus recursos em menos marcas, modelos e concessionárias.

A companhia queimou US$ 40 bilhões nos últimos quatro anos e registrou perdas de mais de US$ 80 bilhões no período. A aprovação da venda pela corte judicial marcará a conclusão de um esforço sem precedentes do governo norte-americano para salvar a GM e a Chrysler por meio da redução de dívidas, custos trabalhistas e concessionárias.

A Casa Branca também desembolsou quase US$ 80 bilhões para fortalecer a indústria automotiva, incluindo US$ 5 bilhões em suporte às fabricantes de auto-peças. Desse total, US$ 50 bilhões foram destinados à GM, em financiamento emergencial que dará ao governo norte-americano uma fatia de mais 60% na nova companhia. A Chrysler saiu da concordata há um mês após vender parte dos ativos a um grupo de investidores liderados pela italiana Fiat.

Como parte das mudanças anunciadas nesta sexta-feira, Bob Lutz, ex-diretor de produtos da montadora, concordou em ficar na empresa em outra posição, informou uma fonte próxima das discussões. Lutz, 77, tinha anunciado anteriormente planos para se aposentar no final deste ano. A nova GM surgirá após reduzir dívida e obrigações com seguro-saúde em US$ 48 bilhões, ter reduzido em quase 40% sua rede de concessionárias e eliminado marcas como Saab, Saturn e Hummer.

A nova GM também se beneficiará de um novo contrato trabalhista com a entidade sindical UAW. Segundo a empresa, o novo contrato coloca os custos com funcionários horistas de fábricas em mesmo patamar que os de competidores japoneses como a Toyota.

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