Vice-presidente da General Motors no Brasil, José Carlos Pinheiro Neto, em conversa com jornalistas na manhã desta terça-feira, disse que o volume de vendas do setor, para este ano, sofrerá uma forte redução. Enquanto em 2008 foram comercializados 2,82 milhões de automóveis, para esta ano o volume de vendas deverá girar em torno dos 2,5 milhões. A queda prevista de 11% nas vendas levará o mercado automotivo deve voltar aos níveis de 2007, quando 2,46 milhões de unidades chegaram às ruas brasileiras. O quadro, no entanto, ainda não é tão negativo quanto em outros países do mundo, segundo o executivo, que acredita na retomada do crédito e da confiança do consumidor nos próximos meses.
– Eu não sou catastrofista. Tem gente dizendo que vai cair para menos de 2 milhões, sem nenhuma base. A situação não é tão dramática. Hoje, há uma situação de crédito, de confiança. E acaba readquirindo essa confiança. É uma situação passageira – disse Pinheiro Neto.
Na véspera, a GM acertou a dispensa de 744 profissionais em São José dos Campos, no interior de São Paulo (a 97 km da capital), onde trabalhadores realizaram um protesto na manhã desta terça-feira. Os metalúrgicos discordam de Pinheiro Neto, que atribuiu a medida à desaceleração do mercado de trabalho. A decisão da montadora atinge contratos de trabalho temporários, em fim de prazo e em andamento, e é consequência da desaceleração do mercado. Os trabalhadores exigem a readmissão dos dispensados e devem fazer mais paralisações para conseguir garantias de estabilidade da companhia
A GM tem 6 mil funcionários em São Caetano em férias coletivas. Em Gravataí, as férias foram antecipadas em uma semana.
– Eram três semanas, serão duas. Lá, fabricamos o Celta e o Prisma, que foram extremamente beneficiados pelo IPI. É a história do mercado – diz o executivo.
Os 2,5 mil contratos temporários em vigor na empresa não têm garantia de continuação.
– Não temos previsão de renovação desses contratos. Qualquer coisa que eu diga será mero achismo. Não há decisão – afirmou.
Segundo o executivo da multinacional norte-americana, a empresa vai negociar com os metalúrgicos e dará preferência aos funcionários demitidos em contratações quando a situação econômica da empresa melhorar. Além disso, Pinheiro Neto confirmou investimentos da ordem de US$ 500 milhões na unidade.