A situação da montadora americana General Motors (GM) levanta "dívidas substanciais" sobre a capacidade da empresa de continuar suas operações, segundo auditores que acompanham o caso. Eles disseram que a empresa pode ter de recorrer à proteção do Chapter 11, o capítulo da legislação norte-americana que regulamenta falências e concordatas. A informação consta de relatório encaminhado à Securities and Exchange Commission (SEC, o órgão regulador do mercado financeiro norte-americano, na sigla em inglês) e divulgado nesta quinta-feira.
"As perdas recorrentes da corporação com operações, déficits dos acionistas e a incapacidade de gerar fluxo suficiente de caixa para cumprir suas obrigações e sustentar suas operações levanta uma dúvida substancial quanto a sua capacidade de continuar", diz o relatório preparado pela empresa Deloitte & Touche.
Nesta semana, a GM apresentou uma queda de 52,9% das vendas nos EUA em fevereiro, com 127.296 unidades ante 270.423 em fevereiro do ano passado. A venda de caminhonetes sofreu mais, com perda de 55%, enquanto a de veículos leves recuou 50%. A indústria tem até o dia 31 deste mês para obter assinaturas em acordos de concessões com credores e o United Auto Workers (UAW, principal sindicato do setor automobilístico norte-americano), para mostrar ao governo que tem condições de continuar em operação.
Segundo o diário norte-americano The Wall Street Journal (WSJ), conselheiros independentes do Departamento do Tesouro começam a estudar "seriamente" a possibilidade de que a GM e a Chrysler tenham de ser protegidas sob o Chapter 11. A empresa, uma das mais conceituadas montadoras do mundo, já apresentou seu plano de reestruturação ao Congresso dos EUA, como contrapartida pela ajuda oferecida pelo governo em dezembro do ano passado, também estendida à Chrysler. A empresa solicitou uma quantia suplementar, até US$ 16,6 bilhões, além dos US$ 13,4 bilhões já obtidos.