Rio de Janeiro, 11 de Maio de 2026

Givenchy de gosto duvidoso na moda prét-à-porter

Elegância ou mau gosto? Eis a questão. Nos desfiles da Semana de Paris, nas coleções de prêt-à-porter, Julien Macdonald criou uma atmosfera de gosto duvidoso na passarela da Givenchy, enquanto Alber Elbaz dava uma aula de estilo na coleção da Lanvin. (Leia Mais)

Quinta, 10 de Outubro de 2002 às 16:23, por: CdB

Elegância ou mau gosto? Eis a questão. Nos desfiles da Semana de Paris, nas coleções de prêt-à-porter, Julien Macdonald criou uma atmosfera de gosto duvidoso na passarela da Givenchy, enquanto Alber Elbaz dava uma aula de estilo na coleção da Lanvin. MacDonald expôs uma coleção colorida e gritante de roupas de tênis com cores iluminadas a néon e maiôs com decotes até a cintura que apenas realçaram sua dificuldade em enquadrar-se na Givenchy, depois de três temporadas na maison que vestia Audrey Hepburn. As peças em tricô que são a marca registrada do estilista galês incluíam vestidos mínimos de macramê em laranja forte e pink gritante. Poucas peças da coleção justificavam os preços de artigos de luxo, e menos ainda havia alguma coisa capaz de proporcionar uma imagem nítida à maison. "Acho que seria melhor se ele retornasse às raízes da Givenchy e mantivesse sua personalidade Julien MacDonald para sua própria coleção", opinou Hilary Alexander, editora de moda do jornal britânico Daily Telegraph. O que se viu no desfile ficou muito longe de qualquer coisa que Audrey Hepburn teria sido capaz de usar no clássico "Cinderela em Paris", de 1957. "Na realidade, ficou longe do que muitas mulheres usariam, desconfio", comentou Alexander. Enquanto isso, Elbaz mostrou classe de sobra em seu desfile sóbrio e discreto para a Lanvin, que destacou tecidos esgarçados usados com chiffons transparentes, com sobreposições de jóias bordadas. Embora o desfile tenha acontecido num subsolo do Museu do Cinema, o clima era de glamour e muita atenção aos detalhes. As modelos desceram a passarela em túnicas sóbrias amarradas com fitas de cetim preto. Vestidos molinhos de jérsei preta eram suspensos de tiras de couro e quadros geométricos de metal. O estilista israelo-americano disse que sua segunda coleção para a maison francesa foi inspirada nas jóias da monarquia. "Quando falamos em jóias", disse ele, "usamos termos como 'beleza', 'precioso' e 'que desafia o tempo'. Quando falamos em moda, o destaque é sempre para o sexo, e só. Estou tentando reintroduzir a 'beleza' e o 'precioso' na moda." MacDonald fará bem em tomar nota da dica, se não quiser que lhe mostrem o caminho da porta giratória da Givenchy. A estilista britânica Phoebe Philo ambientou sua coleção para a Chloe numa praia mediterrânea, colocando na passarela vestidos com alcinhas e tops de algodão leve, num clima despreocupado de verão. Os tecidos coloridos eram lavados para ficar parecendo peças secas ao sol do verão, e túnicas muito brancas pareciam refletir o brilho de paredes caiadas. Ao som de uma trilha sonora que misturava Gipsy Kings com o rapper Eminem, as modelos desceram a passarela em túnicas transparentes brancas de voile de algodão com bolinhas minúsculas de passamanaria criando um toque étnico. O couro tem sido uma presença constante nas passarelas da Chloe desde a saída, 18 meses atrás, da estilista anterior da casa, a vegetariana Stella McCartney. Desta vez, o couro surgiu em casacos com franjas e sandálias de tiras e saltos. A coleção terminou bem, com uma sequência de vestidinhos saco pretos com detalhes metálicos dourados.

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