O ex-prefeito de Nova York Rudolph Giuliani defendeu enfaticamente na quarta-feira os bombeiros e policiais da cidade, depois das duras críticas aos dois departamentos feitas pela comissão que investiga os ataques de 11 de setembro de 2001.
O depoimento emocionado de Giuliani à comissão chegou a ser interrompido algumas vezes pelo público. Ele reagia à conclusão da comissão de que os serviços de resgate de Nova York e Washington ainda não estão preparados para lidar com outro desastre, porque as falhas de coordenação e comunicação que atrapalharam os esforços de resgate no dia dos ataques ainda existem.
"Emergências e ataques catastróficos trazem consigo atos de grande heroísmo. Trazem atos de criatividade engenhosa e erros que acontecem," disse Giuliani. "É o que acontece quando seres humanos são submetidos a essas condições."
"A responsabilidade deve ser dirigida a uma e somente a uma fonte -- os terroristas que mataram aqueles que amávamos."
A comissão disse na terça-feira, no primeiro de dois dias de audiência, que a rivalidade entre bombeiros e policiais, problemas de equipamento e falhas de coordenação prejudicaram os esforços de resgate.
Giuliani rejeitou a hipótese de que não se sabia quem estava no comando durante a tragédia. "Não houve nenhum problema de coordenação em 11 de setembro." As autoridades de resgate "executaram a missão sob grande emoção e sob grande estresse, sem falhas, e isso aconteceu porque têm uma estrutura de comando excelente, uma estrutura na qual sabem como lidar com emergências," disse o ex-prefeito.
Cerca de 25 mil pessoas conseguiram escapar ou foram resgatadas das duas torres de 110 andares cada, que desabaram menos de duas horas depois do impacto de dois aviões comerciais sequestrados. Cerca de 3.000 pessoas morreram, entre elas 343 bombeiros e 23 policiais.
Familiares das vítimas presentes à audiência criticaram Giuliani e a comissão. Uma mulher gritava: "Meu filho foi assassinado." Outro homem pedia: "Falem sobre os rádios," referindo-se aos problemas de comunicação que ocorreram no dia dos ataques. Bombeiros e policiais não podiam usar a mesma frequência para se comunicar entre si.
Um homem teve que ser retirado da sala depois de dizer ao ex-prefeito: "Três mil pessoas assassinadas não quer dizer liderança... Deixe-me fazer as verdadeiras perguntas."
A comissão, reunida a menos de 3 quilômetros do local onde ficava o World Trade Center, disse que, apesar de ter havido algum progresso, as autoridades de resgate ainda não estão preparadas para agir num incidente semelhante.
"É uma dedução justificada, dadas as diferenças entre a cidade de Nova York e o Estado de Virgínia, que os problemas de comando, controle e comunicação que ocorreram em ambos os lugares devam se repetir em qualquer emergência de escala parecida," disse um relatório da comissão.
O documento dizia que tanto Washington como Nova York, assim como outras cidades dos EUA, têm de se assegurar de que seus planos de emergência são eficazes.
O atual prefeito de Nova York, Michael Bloomberg, também depôs à comissão.
A comissão deve concluir seu relatório definitivo até 26 de julho.