Cinco medalhas de prata e cinco de bronze. Este foi o saldo da ginástica artística brasileira após os três dias de competição nos Jogos Pan-Americanos de Santo Domingo, o último deles na terça-feira, dia 05. Um desempenho que ficará marcado na história pelo número recorde de pódios.
Só na República Dominicana, o Brasil conquistou mais medalhas (nove no total) do que nas 13 edições anteriores do Pan. Destaque para a inédita prata por equipe masculina e o bronze no individual geral feminino, com Daniele Hypólito.
— O Pan de Santo Domingo já reflete os benefícios que a Lei Agnelo Piva trouxe para a ginástica. É um divisor de águas — comemora a presidente da Confederação Brasileira de Ginástica, Vicélia Florenzano.
Até o Pan de Winnipeg 99, a preparação das equipes não era constante. Em março do ano passado, com o time feminino, e em fevereiro deste ano, com o masculino, foram criadas as Equipes Olímpicas Permanentes, concentradas em Curitiba e utilizando os recursos da Lei Agnelo/Piva.
— Foi a grande virada da ginástica artística brasileira. A criação das duas equipes, nos mesmos moldes da maioria dos países, possibilitou essa evolução que foi mostrada no Pan de Santo Domingo — explicou Eliane Martins, chefe da equipe feminina, destacando a importância dos técnicos ucranianos Iryna Ilyashenko e Oleg Ostapenko.
— Ela implementou em 99 uma filosofia de trabalho e arrumou o caminho para a chegada dele, há dois anos.
O que se viu no Pan 2003 foi o surgimento de um grupo. No feminino, Daniele Hypólito continua sendo o principal nome, mas já há outras ginastas para tirar de seus ombros toda a responsabilidade.
— Tanto o masculino quanto o feminino saem de cabeça erguida pelo que fizeram em Santo Domingo. Foi a vitória da ginástica brasileira. Comprovamos nossa evolução — afirmou a Pequena Notável, que conquistou duas medalhas de bronze (equipe e individual geral) e duas de prata (nas finais das paralelas e na trave).
Na noite de terça-feira, dia 5, reunidos num jantar de comemoração, em Santo Domingo, atletas, técnicos e Vicélia Florenzano prestaram uma homenagem ao Ministro do Esporte, Agnelo Queiroz, co-autor da Lei Agnelo Piva.
— É um privilégio poder já constatar aqui os primeiros benefícios da Lei para o desenvolvimento do nosso esporte — comemorou o Ministro.
— Costumo dizer que a maturidade de um esporte é alcançada num ciclo de oito a 12 anos. Vocês, aqui em Santo Domingo, passaram com louvor neste primeiro vestibular e estão agora num novo patamar — disse o presidente do COB, Carlos Arthur Nuzman, aos atletas, durante o jantar.
A evolução da ginástica masculina foi marcante. O objetivo da Confederação Brasileira de Ginástica era lutar pelo quarto lugar na competição por equipes e conseguir ao menos uma medalha de bronze nas finais por aparelhos em Winnipeg, a ginástica masculina não havia subido ao pódio.
Para surpresa de todos, foram conquistadas em Santo Domingo três pratas: a primeira delas na equipe (superando o bronze de San Juan 79 e Indianápolis 87) e as outras duas com Diego Hypolito, na final do salto, e com Michel Conceição, na final do solo. Michel ainda garantiu o bronze no salto e Mosiah Rodrigues obteve dois outros bronzes, no cavalo com alças e na barra fixa.
— Nossas notas melhoraram muito em relação aos outros Jogos Pan-Americanos. Sabíamos que havíamos evoluído, mas não tínhamos idéia de quanto. Sempre digo que a criação da nossa Equipe Olímpica Permanente impulsionou essa transformação e impediu que atletas como Mosiah Rodrigues e o Michel Conceição largassem o esporte depois do Mundial. Serviu de incentivo para todos — ressaltou Leonardo Finco, treinador da equipe masculina.
O próximo objetivo da ginástica brasileira e o Mundial de Anaheim, nos Estados Unidos, a partir do dia 17. As ginastas deixaram Santo Do