Rio de Janeiro, 04 de Fevereiro de 2026

Gim Argello pode adiar posse para evitar confronto

Segunda, 09 de Julho de 2007 às 10:37, por: CdB

Depois da derrocada do senador Joaquim Roriz (PMDB-DF), que renunciou ao mandato na última quarta-feira  para evitar correr o risco de ser cassado e perder os direitos políticos, a semana política começa na expectativa da apuração das denúncias contra seu provável suplente, Gim Argello (PTB-DF).

Nos bastidores, especulava-se que ele tomaria posse na próxima terça-feira. Pessoas muito próximas a Argello, entretanto, disseram que ele deve adiar a posse para, pelo menos, a próxima semana para evitar confrontos com aliados de Joaquim Roriz. Adiar a posse teria como objetivo evitar que os aliados do ex-senador achassem que Argello não se solidarizou com os problemas enfrentados por Roriz. Problemas familiares também estariam entre os motivos para o possível adiamento da posse.

Gim Argello é acusado de ter recebido R$ 1 milhão entre 1999 e 2001 de origem ignorada e, também, de ter ficado com outros R$ 500 mil do cheque de R$ 2,2 milhões que o empresário Nenê Constantino teria passado a Roriz para ele comprar uma bezerra de R$ 300 mil.

Além disso, Argello também teria participado de uma transação imobiliária suspeita durante a gestão de Roriz no Distrito Federal. Um terreno de 80 mil metros quadrados, comprado pelo empresário e ex-deputado distrital Wigberto Tartuce de quatro fundos de pensão ligados a órgãos públicos do governo distrital, teria rendido R$ 23 milhões de lucro a Tartuce, que é ligado a Nenê Constantino. Investiga-se a possibilidade de os R$ 2,2 milhões serem uma comissão pela venda do terreno.

Outra suspeita sob Argello se refere às acusações de que Roriz teria comprado uma sentença judicial para se livrar de punição por crime eleitoral no Tribunal Regional Eleitoral do Distrito Federal. A revista "Veja" disse que gravações mostram conversas sobre o assunto entre Roriz e Argello. Argello teria passado mal após ler a reportagem e foi internado no Hospital Brasília

Dependendo de como se desenvolvam essas apurações por parte do Ministério Público, da Polícia Federal (PF) e da Corregedoria do Senado, Gim Argello pode vir a desistir de tomar posse na Casa. Em seu blog na internet, o presidente do partido, o autor das denúncias do "mensalão", Roberto Jefferson (RJ), sugere que Argello não tome posse.

Reforma política

Com apenas uma semana pela frente antes do recesso parlamentar, o presidente da Câmara, Arlindo Chinaglia (PT-SP), admitiu que a aprovação dos principais pontos da reforma política podem ficar para o segundo semestre. A reforma está na pauta da próxima terça-feira, mas a base governista quer adiar a votação.

Dos quatro pontos que restaram da reforma - financiamento público, teto para gasto com campanha de deputados e vereadores, fidelidade partidária e fim das coligações -, o presidente da Câmara avalia que os dois últimos itens guardam menos polêmica.

Tags:
Edições digital e impressa