Rio de Janeiro, 02 de Outubro de 2026

Gesto de Obama repercute entre socialistas

A notícia de que o presidente dos EUA, Barack Obama, deseja um "novo começo" nas relações com Cuba, mostrando-se disposto a colaborar com Havana em questões como direitos humanos, migração e economia, teve boa repercussão na Ilha comunista do Caribe e junto ao seu vizinho mais próximo politicamente, a Venezuela. Presidente venezuelano, Hugo Chávez manifestou, na manhã deste sábado, sua confiança de que Obama será o presidente de "um novo Estados Unidos" e destacou que esta é a esperança daqueles que esperam o fim de uma era imperialista daquele país. Distensão começou com disposição cubana de discutir 'tudo'

Sábado, 18 de Abril de 2009 às 07:21, por: CdB

A notícia de que o presidente dos EUA, Barack Obama, deseja um "novo começo" nas relações com Cuba, mostrando-se disposto a colaborar com Havana em questões como direitos humanos, migração e economia, teve boa repercussão na Ilha comunista do Caribe e junto ao seu vizinho mais próximo politicamente, a Venezuela. Presidente venezuelano, Hugo Chávez manifestou, na manhã deste sábado, sua confiança de que Obama será o presidente de "um novo Estados Unidos" e destacou que esta é a esperança daqueles que esperam o fim de uma era imperialista daquele país.

– Deixemos no passado o império dos Estados Unidos; que nasça um mundo novo, pluripolar, com respeito à soberania dos povos – disse o líder bolivariano.

Na noite passada, Obama discursou na abertura do encontro em Trinidad e Tobago.

– Deixe-me ser claro: não estou interessado em conversar só por conversar. Mas acredito que possamos levar as relações cubano-norte-americanas para uma nova direção – disse Obama em discurso preparado para a Cúpula das Américas.

Na quinta-feira, o presidente cubano, Raúl Castro, se disse disposto a conversar sobre "tudo" com os EUA, inclusive presos políticos e liberdade de imprensa. Essas declarações de ambas as partes sugerem uma reaproximação após quase meio século de rompimento entre os dois países.

No começo da semana, Obama havia suspendido restrições a viagens e remessas financeiras de cubano-americanos para a ilha, além de autorizar empresas norte-americanas de telecomunicações a prestarem serviços em Cuba.

– Os Estados Unidos buscam um novo começo com Cuba. Sei que há uma jornada mais longa que precisa ser percorrida para superarmos décadas de desconfiança, mas há passos críticos que podemos dar em direção a um novo dia. Nos últimos dois anos, tenho indicado - e repito hoje - que estou preparado para que meu governo se envolva com o governo cubano em diversas questões - de direitos humanos, liberdade de expressão e reformas democráticas até drogas, migração e questões econômicas – disse Obama.

Na cerimônia de abertura da cúpula, a presidente argentina, Cristina Kirchner, pediu a Obama que reconsidere a situação de Cuba e também saudou as recentes medidas norte-americanas para relaxar o embargo.

Mais enfático, o presidente da Nicarágua, Daniel Ortega, criticou a ausência de Cuba e de Porto Rico do encontro.

Presos políticos

Antes da chegada de Obama a Port of Spain, o porta-voz de Obama, Robert Gibbs, conclamou Havana a libertar presos políticos e deixar de depender das remessas financeiras dos migrantes.

– Há ações que o governo cubano pode tomar além de desejar ter qualquer diálogo com o governo norte-americano – disse Gibbs a jornalistas a bordo do avião presidencial.

Cuba habitualmente rejeita com irritação qualquer tentativa "imperialista" de vincular a melhoria nas relações com Washington a eventuais reformas internas.

Como sempre acontece nesses eventos, Cuba está excluída da Cúpula das Américas, mas vários líderes da região, como os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Hugo Chávez (Venezuela), aproveitam o evento para pedir que Obama suspenda o embargo econômico contra a ilha, em vigor desde 1962.

Obama foi à cúpula propondo uma nova parceira econômica com a América Latina, livre das disputas ideológicas do passado e com mais ênfase em soluções para a atual crise global.

Mas o debate sobre as relações cubano-americanas e a respeito do desejo de Washington de vincular tal melhoria a uma abertura política em Cuba gera o risco de justamente reavivar as sensibilidades ideológicas que Obama gostaria de sepultar.

Horas antes do início da cúpula em Trinidad, Chávez e um grupo de outros líderes esquerdistas, inclusive Raúl Castro, rejeitaram a proposta de declaração final da Cúpula das Américas. Eles disseram que o encontro não oferece soluções para a crise econômica e "injustificavelmente excluiu Cuba".

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