Presidente do conselho de administração do Grupo Gerdau, Jorge Gerdau Johannpeter, um dos amigos mais próximos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, afirmou, nesta terça-feira, que o governo brasileiro gasta como se não houvesse uma crise em escala global. Segundo o empresário, que recusou um cargo no governo federal, é necessário um ajuste nas contas públicas para reduzir despesas. Gerdau participou, na manhã desta terça-feira, do seminário Atitudes Positivas para Enfrentar a Crise, realizado pelo Grupo de Líderes Empresariais (Lide).
– 60% do Produto Interno Bruto (PIB) é do setor privado e 40% do governo e eu tenho uma visão muito crítica nesse sentido. O setor público continua agindo como se não houvesse crise, enquanto o setor privado trabalha para se ajustar à crise e diminuir custos. Dinheiro tem que ser poupado e não posso aceitar esse tipo de realidade. Faço essa observação porque a nação é uma só. Temos que raciocinar globalmente. O dinheiro tem que se poupar e se sobrar dinheiro tem que se baixar impostos. Não pode o equivalente a 40% do PIB continuar agindo nessa maneira – afirmou ele na palestra.
Gerdau, no entanto, ressaltou a importância dos investimentos programados, tanto por parte do setor público quando pelo privado.
– Ninguém de nós havia vivido algo semelhante (como a atual crise). Isto aqui é uma crise financeira. Sendo assim, tem a característica de não deixar ninguém escapar. O que aconteceu no sistema foi uma verdadeira loucura de alavancagem. Essa crise faz com que tenhamos de ajustar a economia a essa nova realidade – afirmou o empresário.
Em sua palestra, Gerdau fez um trocadilho com o conceito de crise.
– Eu gosto de crise. E normalmente consigo sair melhor do que entrei nelas. Só a crise me faz trabalhar direito – disse.