As geradoras que participaram do leilão de energia nesta terça-feira não gostaram do resultado, considerando os preços conseguidos muito baixos, e já indicam que vão investir menos daqui para frente.
- (Os preços foram) muito ruim para todos, muito abaixo dos contratos iniciais - afirmou Mauro Arce, secretário de energia do estado de São Paulo, controlador da Cesp .
Ele lembrou que a empresa está endividada e se já tinha dificuldade em pensar em novos investimentos, "agora mesmo é que não fará mais." Arce informou que a empresa fez oferta total de 2.400 megawatts e vendeu 800 megawatts para os contratos de 2005, a R$ 62,10 o MWh.
Para 2006, foram 1.178 MW, a R$ 68,37 e, para 2007, vendeu 20 megawatts a R$ 77,70.
- Agora temos uma sobra que tentaremos vender para o consumidor livre - disse o secretário, acrescentando que a Cesp terá problemas para equilibrar suas finanças após os preços obtidos no leilão.
O preço médio do megawatt, para os contratos de 2005, ficou em R$ 57,51, abaixo da expectativa do mercado, de algo próximo a R$ 70. Para 2006, o preço médio do leilão ficou em R$ 67,33 e, para 2007, em R$ 75,46.
Fazendo coro com Arce, o presidente da Tractebel no Brasil, Manoel Zaroni, que vendeu apenas 10 megawatts no leilão para contratos a partir de 2007, afirmou que os preços decepcionaram e criticou a dificuldade de competição no leilão.
- Quem tem usinas recém-construídas ou comprou empresa no país tem dificuldade de competir com energia que já está amortizada - disse ele em referência à forte presença das estatais no leilão. O executivo destacou, no entanto, que o leilão foi bem organizado e o consumidor final saiu beneficiado.
Um representante da Copel, que não quis ser idenficado, disse que a empresaq pensava em construir quatro usinas hidrelétricas, "mas agora provavelmente vai voltar atrás, diante desses preços". Ele informou, no entando, que a empresa vendeu os 1,4 mil megawatts ofertados no leilão.
Para o presidente da Companhia Estadual de Energia Elétricas (CEEE), Antônio Carlos Brites Jaques, cujo saldo no leilão foi a venda de 412 megawatts divididos meio a meio entre contratos de 2005 e 2006, os preços ficaram abaixo do esperado, mas que atendem "ao princípio de modacidade tarifária."
Confirmando as palavras da ministra de Minas e Energia, Dilma Rousseff, o presidente da Chesf, Dílton da Conti Oliveira, informou que a empresa vendeu 3.692 megawatts no leilão, com maior concentração em 2005 e 2006. Houve sobra de 970 megawatts que serão colocados no mercado atacadista ou junto a consumidores livres.