George A. Romero voltou para a terra dos mortos pela primeira vez em duas décadas, depois de ver outros diretores refazendo seus clássicos de horror, sem o subtexto sociopolítico que é sua marca registrada. E é evidente que o pai do cinema de horror moderno ainda tem muito a dizer.
<i>Terra dos Mortos</i>, estreou da sexta-feira, é o quarto filme do que deveria, originalmente, ser uma trilogia, começando com o seminal <i>Noite dos Mortos Vivos</i>, de 1968, o filme que inspirou várias gerações de cineastas.
Este quarto filme pode muito bem ser a obra-prima de Romero. O diretor aproveita plenamente a maquiagem e os efeitos visuais mais modernos, sem falar em duas décadas de observações da sociedade norte-americana. Nesses 20 anos, até os mortos vivos já aprenderam algumas coisas.
Depois de <i>O Amanhecer dos Mortos Vivos</i> e <i>O Dia dos Mortos Vivos</i>, ficou claro que essas criaturas horripilantes têm fome de muito mais do que apenas carne fresca.
Seguindo o exemplo do imponente frentista <i>Big Daddy (Eugene Clark)</i>, os mortos vivos começaram a reencenar as vidas normais que levavam antes de morrer.
Enquanto isso, os poucos ricos e poderosos ainda remanescentes entre os vivos se isolaram numa torre de marfim - um complexo de luxo desde onde eles podem ver os habitantes infelizes da cidade que são obrigados a lutar para sobreviver nas ruas perigosas.
O complexo é dominado pelo poderoso Kaufman (Dennis Hopper), um executivo elegante que tem um grupo de mercenários contratados que se aventuram fora das cercas eletrificadas para buscar artigos de luxo para seus patrões.
Mas, enquanto eles abrem caminho entre as multidões fedorentas num veículo blindado maciço, uma agitação incontrolável está prestes a explodir, atingindo tanto mortos quanto vivos.
Embora Romero tenha se aventurado fora de sua Pittsburgh natal para filmar <i>Terra dos Mortos</i> em Toronto, os justiceiros patriotas e o discurso antiterrorista do executivo representado por Hopper deixam claro que a maioria das críticas do filme é voltada contra os Estados Unidos.
Mas o espectador que conhece a obra de Romero sabe que, mesmo assim, o que vai assistir não é nenhuma diatribe em estilo Michael Moore. O horror ainda é a atração principal, e <i>Terra dos Mortos</i> não economiza nos elementos viscerais e repulsivos.
Reforçado por um elenco de talento, que inclui Asia Argento no papel de uma ex-prostituta durona que entra para o grupo de Riley, o filme não economiza na atmosfera, que às vezes beira o horrendamente poético.