Muito pouco se fala no Brasil, a respeito das características pessoais de George Bush. Quase todas explicam claramente como ele dirige a sua política externa.
Dentre essas características, poucas são tidas como "louváveis", pela opinião pública norte-americana, após quase quatro anos de mandato.
"Não há dúvidas de que seja mentalmente superficial, intelectualmente preguiçoso e indolente", escreveu John W. Dean em seu recente livro intitulado "Pior que Watergate", uma análise sobre o atual governo dos EUA.
Essas características podem justificar alguns boatos que rodam o Presidente, como o de que ele lê pouco mais do que os seus discursos e que depende totalmente das informações verbais de sua equipe. Também não gosta de memorandos grandes e exige que eles sejam curtos.
Contudo, quando se interessa por um assunto, Bush sabe, como ninguém, usar sua "inteligência natural", sua astúcia.
É muito comum a comparação entre a personalidade de George Bush e de Richard Nixon, ex-presidente norte-americano, por elas serem extremamente parecidas.
Assim como Nixon era, Bush é conhecido por ser um homem solitário, de poucos amigos. O cotidiano da Casa Branca foi bastante alterado em contraste com a administração de Bill Clinton, quando a residência vivia cheia de pessoas e recepções. O "círculo social" em Washington ficou estático, pois é raro o Presidente freqüentar locais públicos na cidade.
Ambos são conhecidos também pela grosseria na vida privada e por gostarem de usar palavrões para demonstrar amizade e intimidade para os amigos.
A opinião dos jornalistas que acompanham Bush é unânime em apontar a arrogância como traço principal do Presidente.
Richard Clarke, ex-diretor da Secretaria de Segurança Nacional já relatou que, somente o círculo mais fechado dos seus quatro principais secretários têm acesso a ele. Para os demais, Bush chega a exigir seguranças dentro das salas de reuniões da Casa Branca, numa demonstração de que não confia nem nas pessoas que ele mesmo escolheu para trabalhar.
Nas viagens internacionais também é possível ver as diferenças entre o atual presidente e o seu antecessor. Bill Clinton gostava de se encontrar com pessoas comuns quando estava no exterior. George Bush somente se encontra com reis, rainhas, presidentes e com aqueles que parecem se adequar ao seu status.
Uma outra característica comum a Bush e a Nixon é o modo de se tratar na terceira pessoa. Constantemente Bush se refere ao "presidente" fazendo isso ou aquilo, como se fossem pessoas diferentes.
Para alguns críticos, isso é para tentar uma "imunidade" pessoal. É como se quisesse dizer "o presidente fez isso, não eu".
Ele interpreta o papel de Presidente dos Estados Unidos e o faz da maneira mais completa e, talvez, pior possível.
Graças a esse personagem de "mocinho Kid Bush" que ele interpreta, no melhor estilo "Macunaíma - um herói às avessas", ele conseguiu prender o "bandido", mas até agora, ao que parece, não resistiu e ficou com o dinheiro roubado.