O deputado federal José Genoino (PT-SP) falou, na noite desta quarta-feira, sobre a ação penal que o Supremo Tribunal Federal (STF) abriu contra ele em relação ao suposto esquema de repasse de dinheiro a parlamentares que ficou conhecido como mensalão.
Ele disse a transferência do inquérito da Justiça Federal em Minas Gerais para o STF ocorreu a pedido de seus advogados. E classificou de um "ato político" a conversão da denúncia em ação penal.
Em discurso no plenário da Câmara dos Deputados, Genoino afirmou estar convencido de que vai provar a inocência no processo. O deputado é acusado de falsidade ideológica e gestão imprópria por uso de empréstimos do Banco BMG para o PT para justificar a origem do dinheiro supostamente utilizados para comprar votos de parlamentares da base aliada.
- Esses empréstimos foram absolutamente legais e constam da contabilidade do PT registrada no Tribunal Superior Eleitoral. Esses recursos não têm nada a ver com campanha eleitoral, muito menos com caixa 2 -, disse o deputado, que era presidente do PT quando essas transações foram descobertas.
Para Genoíno, a conversão do inquérito enviado pela Justiça mineira em ação penal não passou de um gesto político para criar um fato negativo em relação ao parlamentar.
- Isso não me intimida nem me ameaça, porque eu tenho a consciência tranqüila daquele ato legal -, disse.
Ele disse ter estranhado o fato de o STF ter acolhido a denúncia sem dar oportunidade de ouvir acusados.
- Esse processo foi aceito por apenas um ministro sem uma defesa prévia no pelo do Supremo Tribunal Federal. Esse é um jogo político do qual eu sou a vítima -, criticou.
Com a abertura da ação penal, Genoíno e mais dez acusados de participação no esquema deixaram de ser considerados investigados para virarem réus. Além do parlamentar, estão sendo processados o ex-tesoureiro do PT, Delúbio Soares, e o empresário Marcos Valério.
Rio de Janeiro, 18 de Janeiro de 2026
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