Rio de Janeiro, 12 de Maio de 2026

Genro muda estratégia na eleição do PT

Presidente interino e ainda na liderança da chapa que concorrerá à direção do PT em setembro, Tarso Genro confidenciou a interlocutores, nesta sexta-feira, que poderá deixar a disputa ainda neste fim de semana e, com isso, permitir a solução do impasse com o ex-ministro chefe da Casa Civil José Dirceu, que insiste em permanecer na administração do Partido. (Leia Mais)

Sexta, 26 de Agosto de 2005 às 09:30, por: CdB

Presidente interino e ainda na liderança da chapa que concorrerá à direção do PT em setembro, Tarso Genro confidenciou a interlocutores, nesta sexta-feira, que poderá deixar a disputa ainda neste fim de semana e, com isso, permitir a solução do impasse com o ex-ministro chefe da Casa Civil José Dirceu, que insiste em permanecer na administração do Partido. Embora ele tenha recuado do ultimato que fez quando ameaçou abrir mão de sua candidatura à presidência petista, caso o deputado José Dirceu (PT-SP) não deixasse a chapa da ala majoritária que concorre à eleição petista, Tarso acredita que o desgaste para o PT é ainda maior se a disputa se arrastar por mais tempo.

Tempo, aliás, foi o que Tarso Genro concedeu aos negociadores petistas que tentam convencer Dirceu a deixar a chapa do Campo Majoritário, ala que domina a legenda, mas, na opinião do dirigente, a permanência do ex-chefe da Casa Civil significa manter uma estrutura de poder que levou o PT à atual crise.

- Se por acaso os companheiros entenderem que a transição deve ser mais suave, tem que manter o relacionamento mais estreito com o sistema dirigente anterior. Não sou a pessoa mais adequada. Se for uma transição para mudar estilo de direção, reorganizar o projeto do partido, estabelecer uma outra relação partido-governo, portanto ruptura com o sistema anterior, eu posso ser candidato - afirmou Tarso.

Para o ex-ministro da Previdência e secretário-geral do PT, Ricardo Berzoini, em comunicado feito na manhã desta sexta-feira por intermédio de sua assessoria de imprensa, não há qualquer obstáculo para que ele assuma a condição de candidato majoritário do Partido, mas gostaria que Tarso permanecesse na disputa. Ele ainda acredita que este é um momento de gestos e José Dirceu deveria deixar voluntariamente a chapa. Essa disposição, diz, não significaria julgá-lo prematuramente. A dificuldade em relação a Dirceu vem de sua forte respaldo no partido, como demostrou em decisões recentes, todas contrárias ao desejo de Tarso.

Esquerda forte

Para qualquer um dos lados que a solução caminhe, fica ao grupo dominante do partido o fantasma de perder a eleição para a esquerda petista, favorecida com a divisão da ala majoritária. Esse resultado complicaria a vida do governo que, em meio à crise política, precisa de largo apoio à sua política econômica, combatida pelas tendências de esquerda que também concorrem à presidência do PT.

Uma forma de evitar esse tipo de resultado seria manter Dirceu na chapa, mas não conceder a ele nenhuma função no diretório nacional, instância máxima da legenda. Isso é possível porque o número de membros na chapa é maior que a quantidade de vagas disponíveis na direção, critério que, naturalmente, deixaria de fora um grande número de petistas.

- Chapa é chapa. Nós vamos decidir quem fica no diretório depois da eleição - disse Ricardo Berzoini.

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