Rio de Janeiro, 25 de Outubro de 2026

Genro explica prisão de Daniel Dantas a Lula

Após passar uma semana em viagem a países asiáticos, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva participou, nesta segunda-feira, da primeira reunião de coordenação política depois que a Operação Satiagraha foi deflagrada pela Polícia Federal, na última terça-feira. O assunto estava na pauta do encontro do grupo, do qual faz parte o ministro da Justiça, Tarso Genro. Grupo atuaria em empresas de fachada para desviar recursos ao exterior

Segunda, 14 de Julho de 2008 às 08:28, por: CdB

Após passar uma semana em viagem a países asiáticos, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva participou, nesta segunda-feira, da primeira reunião de coordenação política depois que a Operação Satiagraha foi deflagrada pela Polícia Federal, na última terça-feira. O assunto estava na pauta do encontro do grupo, do qual faz parte o ministro da Justiça, Tarso Genro.

O objetivo da operação foi desmontar um esquema de corrupção e  lavagem de dinheiro, entre outros crimes. Durante a ação, agentes da Polícia Federal prenderam o dono do Banco OPP, (ex-Opportunity), Daniel Dantas, o empresário Naji Nahas e o ex-prefeito de São Paulo, Celso Pitta. Todos, no entanto, já estão em liberdade por determinação do Superior Tribunal Federal, em uma decisão polêmica do presidente da mais alta corte judiciária do país, Gilmar Mendes.

A forma de participação dos ministros nas campanhas eleitorais para as eleições municipais de outubro também estava na pauta da reunião. A expectativa é que se decida se os ministros poderão subir em palanques em qualquer Estado ou apenas no Estado onde está sua base eleitoral. A informação foi dada pelo ministro de Relações Institucionais, José Múcio Monteiro, na última quinta-feira. O presidente Lula passaria a manhã no Palácio do Alvorada em despachos internos, mas transferiu a agenda para o Palácio do Planalto.

Depoimento

Em São Paulo, Dantas, foi convocado a prestar seu primeiro depoimento na Superintendência da Polícia Federal de São Paulo nesta quarta-feira, data combinada na última sexta-feira entre a PF e os advogados do banqueiro. O suspeito de corrupção ativa, lavagem de dinheiro e formação de quadrilha foi foi preso duas vezes na semana passada. A primeira prisão foi decretada pelo juiz federal Fausto Martins de Sanctis, 6ª Vara Criminal da Justiça Federal, em São Paulo, na última terça-feira, após ser deflagrada a operação. Em recurso ao STF e, no dia seguinte, Gilmar Mendes concedeu o primeiro habeas corpus.

Não se passaram 12 horas que Dantas havia deixado a carceragem da PF paulistana e o mesmo juiz federal decretou novamente a prisão do banqueiro, em caráter preventivo, e não mais provisório, com base em documentos apresentados pela PF e pela Procuradoria. Um depoimento também reforçou o pedido de prisão por tentativa de suborno. Hugo Chicaroni, também preso na operação, confessou em depoimento os preparativos da tentativa de suborno de um delegado federal para que ele retirasse o nome de Dantas e de integrantes da sua família de um inquérito da PF sobre possíveis operações ilícitas. A defesa de Chicaroni negou tudo.

Apesar das novas provas, apresentadas no processo, o ministro Gilmar Mendes concedeu um novo habeas corpus ainda na sexta-feira à tarde e o banqueiro foi solto. Ele teria voltado ao Rio de Janeiro, onde mora, mas autoridades do governo chegaram a se pronunciar sobre o risco de uma fuga do suspeito.

Investigações

Em nota, distribuída à imprensa nessa segunda-feira, a PF relata que as investigações relativas aos crimes cometidos pela quadrilha, supostamente liderada por Dantas, começaram há quatro anos, com o desdobramento das apurações feitas a partir de documentos relacionados ao caso mensalão. Documentos enviados pelo STF para a Procuradoria da República no Estado de São Paulo gararam um processo na 6ª Vara Criminal Federal e o consequente envolvimento da PF no caso.

Os investigadores identificaram pessoas e empresas beneficiadas no esquema que teria sido montado pelo empresário Marcos Valério para intermediar e desviar recursos públicos. Informações e documentos colhidos em outras investigações levaram a PF até à organização criminosa, supostamente comandada por Daniel Dantas, envolvida com a prática de crimes dos mais diversos, com o uso de empresas de fachada. Ainda nas investigações, policiais teriam chegado a uma segunda organização, formada por empresários e doleiros que possivelmente atuavam no mercado financeiro para lavagem de dinheiro, dessa vez comandada pelo megainvestidor Naji Nahas.

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