Genoino deixa o presídio da Papuda, a caminho de uma audiência Miruna, filha de Genoino, saiu em defesa do pai
Ex-presidente do PT, José Genoino deixou o presídio da Papuda na manhã desta terça-feira e, após uma audiência na Vara de Execuções Penais e Medidas Alternativas, foi autorizado a cumprir o restante de sua pena em regime aberto.
Condenado a 4 anos e 8 meses de prisão pelo crime de corrupção no processo do mensalão, Genoino poderia deixar o presídio e iniciar a pena em regime aberto após cumprir um sexta de sua pena, no dia 24 de agosto. Mas, como trabalhou na biblioteca da Papuda e fez cursos durante o período em que esteve preso, abateu alguns dias de sua pena e pôde antecipar a progressão do regime.
Durante a audiência, Genoino recebeu instruções de como proceder durante o restante do cumprimento da pena no regime aberto de prisão e assinou um termo de responsabilidade para o cumprimento das regras. Nesta nova condição, Genoino deverá se recolher entre 21h e 5h e precisará passar os fins de semana em seu domicílio. Caso precise sair nestes períodos, poderá requerer uma autorização da Justiça.
Fora da prisão, Genoino não poderá se encontrar com outros condenados que cumpram pena, sejam eles do processo da Ação Penal (AP) 470 ou não. Genoino deixou a Vara de Execuções Penais por volta de 10h e preferiu não falar aos repórteres. Seus advogados, na saída do cartório, também não informaram se ele cumprirá a pena na casa que mantém alugada na Capital Federal ou na residência de uma de suas filhas.
Resgate da dignidade
Para uma parcela considerável dos brasileiros, Genoino foi condenado injustamente no processo que ficou conhecido como 'mensalão'. Para seus familiares, o líder petista foi perseguido pela mídia conservadora, que apontou a existência de regalias no presídio onde cumpria pena.
Em sua defesa, a filha Miruna relata, em uma carta emocionada, que sequer lhe permitiram entregar comida prescrita pelos médicos, "nem mesmo desenhos de seus netos!", protestou. Ela, na ocasião, lembrou que o índice de coagulação de Genoíno já havia voltado a níveis perigosos. Nesta terça-feira, Miruna recebeu o pai com um sorriso.
Leia, adiante, a carta aberta de Miruna à opinião pública, em maio último:Não posso continuar calada!
E preciso de sua ajuda para que escutem a minha voz.
Meu pai sofreu uma isquemia cerebral transitória (ou o conhecido AVC) em agosto, quando se recuperava da cirurgia do coração e desde então vem sendo tratado com alimentação rigidamente controlada e medicação.
Meu pai precisa ter sempre o índice de coagulação entre 2 e 3.
Quando foi levado para o presídio a primeira vez, saiu de lá com o índice de coagulação em 5,6. Quase com hemorragia.
Agora foi mandado novamente para a prisão e obteve nessa semana um resultado grave e preocupante: 1,06. Alto risco de um novo AVC.
Hoje, na visita, depois de serem revistados de cima para baixo, depois da enorme fila, tensão e ansiedade, minha mãe e meus irmãos não puderam entregar as cartas que eu escrevo diariamente para meu pai. “Temos que ler”. Livros, nenhum. “Só religiosos”. Hoje, não puderam nem mesmo entregar alimentos prescritos pelo médico e pela nutricionista. Hoje, o desenho que meu filho fez para o avô só entrou depois que foi esquadrinhado e muito bem explicado. “Ele é meu sobrinho. (e é o quê dele?) É o neto. (e o que é isso?). É um desenho. Um avião”.
Por que estão fazendo isso com meu pai? Ele não vai mais se candidatar a nada, saiu da vida política, já foi condenado, já mancharam a sua história política, por que isso também? Por que a sua vida, a sua saúde?
Eu não quero um herói, não quero um mártir, nem um símbolo. Eu quero meu pai vivo. Eu quero ter um pai, quero que meus filhos tenham o avô. E quero sobreviver a tudo isso de alguma forma, ainda sem saber ao certo como.
Miruna Genoino
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