O presidente nacional do PT, José Genoíno, mirou a metralhadora para os próprios correligionários e a base do governo para justificar o "cochilo" do governo que resultou na reabertura dos bingos, que haviam sido fechados por Medida Provisória assinada pelo presidente da República Luiz Inácio Lula da Silva.
A rejeição da MP que proibiu o funcionamento das casas de bingo foi muito criticada, impondo constrangimentos ao Palácio do Planalto. Para Genoino, os parlamentares do seu partido são responsáveis pela derrota do Governo. Sem citar nomes, Genoino criticou a ausência dos senadores Flávio Arns (PR) e Cristovam Buarque (DF), que não justificaram o não comparecimento na sessão de ontem, quando o Senado votou pela reabertura das casas.
Para o presidente do PT, a oposição não pode contabilizar como vitória o arquivamento da MP dos bingos.
- O País saiu perdendo. Quem quer acabar com a jogatina saiu perdendo. Se a base aliada no Senado tivesse votado com coesão, como na Câmara, isso não teria acontecido - disse Genoino.
O governador do Rio Grande do Sul, Germano Rigotto (PMDB), também lamentou que o Senado Federal tenha derrubado a MP, destacando a necessidade de acordo entre governo e parlamentares para evitar que a proibição retorne, gerando confusão semelhante à de fevereiro.
Ele afirmou que a simples abertura dos bingos é prejudicial ao país e defendeu a criação de um marco legal que discipline, inclusive, o número máximo de casas por município. Rigotto disse que consultou o Ministério Público sobre a criação de lei estadual sobre o assunto, e que foi informado de que legislar sobre os jogos é competência exclusiva da União.
Nesta quinta-feira algumas casas de bingos de Porto Alegre e de São Paulo já reabriram. O sindicalista Paulo Pereira da Silva, presidente da Força Sindical e candidato à prefeitura de São Paulo pelo PDT, participou da reabertura do bingo paulista Imperador e afirmou que espera que o governo aceite a derrota no Senado e não cause mais problemas para os bingos.