Rio de Janeiro, 20 de Setembro de 2026

General dos EUA: "ordem era tratar presos como cães"

A general dos Estados Unidos responsável pela prisão de Abu Ghraib no Iraque, Janis Karpinski, ouviu de um comandante de inteligência militar que os prisioneiros deveriam ser tratados como cães, revelou em uma entrevista divulgada nesta terça-feira. (Leia Mais)

Terça, 15 de Junho de 2004 às 06:09, por: CdB

A general dos Estados Unidos responsável pela prisão de Abu Ghraib no Iraque, Janis Karpinski, ouviu de um comandante de inteligência militar que os prisioneiros deveriam ser tratados como cães, revelou em uma entrevista divulgada nesta terça-feira.

Janis Karpinski, à frente da Polícia Militar que administrava as prisões no Iraque quando surgiram fotografias de prisioneiros sofrendo abusos, afirmou que ela e seus soldados foram usados como bodes expiatórios para abusos ordenados por outras pessoas.

Na entrevista com a rádio BBC, da Grã-Bretanha, Karpinski disse que Geoffrey Miller, general de duas estrelas enviado ao Iraque a partir da prisão de Guantánamo, em Cuba, havia determinado novos procedimentos nos blocos de celas onde os iraquianos eram interrogados.

- Ele disse que na baía de Guantánamo aprendemos que os prisioneiros precisam merecer tudo o que recebem - contou Karpinski. - Ele disse que eles eram como cães, e que se você permitisse que acreditassem em algum momento que eram mais do que um cão, então você perderia o controle sobre eles.

Mas Karpinski, que foi suspensa por falhas em Abu Ghraib, mas não acusada de qualquer crime, ressaltou que a PM não teria retirado os iraquianos das celas para pousar para fotos humilhantes sem ordens.

- Eu fiquei absolutamente enojada com aquelas imagens. Não consigo imaginar o que aconteceu com aqueles pessoas para distanciá-las tanto do que foram treinadas para fazer - observou.

- Mas diria que conheço meu pessoal da Polícia Militar...bem o suficiente para saber que acreditavam estar seguindo instruções de uma pessoa autorizada a dar instruções. Karpinski disse que Miller afirmou a ela que pretendia adotar no Iraque procedimentos usados em Guantánamo. 

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