O abuso de prisioneiros iraquianos por parte de soldados dos Estados Unidos levou a uma perda de credibilidade que abala a já problemática missão norte-americana, disse o general da reserva Wesley Clark no programa de rádio semanal dos democratas neste sábado.
- Os pedidos de desculpas não são suficientes - afirmou o ex-candidato presidencial democrata - Esses atos criminosos de abuso precisam ser totalmente investigados e os responsáveis devem responder à lei.
Ex-comandante da Otan que coordenou os bombardeios de 1999 em Kosovo, Clark foi um dos primeiros críticos da guerra no Iraque. Ele também testemunhou no julgamento por crimes de guerra do ex-presidente iugoslavo Slobodan Milosevic, após participar da equipe dos EUA que ajudou a intermediar os acordos de paz de Dayton, de 1995.
O secretário de Defesa dos Estados Unidos, Donald Rumsfeld, pediu desculpas na sexta-feira pelo sofrimento de prisioneiros iraquianos nas mãos de militares norte-americanos na prisão de Abu Ghraib, a oeste de Bagdá. O presidente George W. Bush havia pedido desculpas na quinta. Alguns democratas pedem a renúncia de Rumsfeld.
As declarações de Clark vieram em resposta ao discurso de Bush em seu programa de rádio, mais cedo no sábado. Bush afirmara que as imagens de abuso e humilhação tornadas públicas representam um "mau procedimento de alguns poucos."
Segundo Clark, são necessárias agora ações corretivas para que tais abusos não se repitam. "É preciso compensar os iraquianos que sofreram essas humilhações por meio de gestos reais e simbólicos, como a desativação da prisão de Abu Ghraib," disse ele.
"Se a missão corria risco pela perspectiva do uso de força pesada contra insurgentes em Falluja e Najaf, ela não corre menos perigo pela perda de credibilidade causada por nossa conduta imprópria," afirmou Clark, referindo-se à grande resistência enfrentada pelos norte-americanos nas duas cidades iraquianas. "Essa é uma missão em apuros."
- A verdade é que o presidente Bush cometeu um erro atrás do outro como comandante-em-chefe, levando-nos a uma guerra que não tínhamos de entrar, sozinhos e sob falsas alegações e agora está conduzindo o conflito de modo insuficiente - afirmou.