Rio de Janeiro, 19 de Agosto de 2026

Geleiras alpinas podem acabar em dez anos

Sexta, 10 de Outubro de 2003 às 08:09, por: CdB

Dez verões tão quentes e longos como o deste ano acabarão com as geleiras alpinas, afirma o especialista suíço Wilfried Haeberli, da Universidade de Zurique e responsável pelo Serviço Mundial de Observação de Geleiras. "Segundo as oscilações de massa realizadas no final de setembro, as geleiras perderam entre dois e quatro meses de espessura em um ano, o que corresponde a dez% de seu volume total", explica o cientista em entrevista ao jornal suíço Tribune de Geneve.

Haeberli não acredita que um inverno com muita neve possa restabelecer o equilíbrio perdido: "As precipitações de inverno contribuem em apenas 30% para o estado das geleiras, a temperatura do verão faz o resto". Desde 1850, as geleiras alpinas perderam metade de seu volume e 40% de sua superfície, o que levou os glaciologistas a realizarem oscilações de massa anuais a partir de 1960 para melhor acompanharem a evolução dessas massas de gelo.

Para estabelecer essas oscilações, é medido o total das precipitações caídas sobre as geleiras, número do qual se retira o volume total de água procedente do derretimento. Essas medições que terminam em 30 de setembro de cada ano, são realizadas em 14 geleiras alpinas - da Suíça, da Áustria, da França e da Itália - escolhidas como amostras.

No que diz respeito aos 12 meses entre outubro de 2002 e setembro de 2003, o balanço é realmente catastrófico, segundo Haeberli. "Se tivéssemos previsto fenômeno semelhante há dez anos, teriam nos considerado loucos", explica Haberli, segundo o qual a perda corresponde ao dobro da máxima observada desde 1960, o quíntuplo da média anual entre 1980 e 2000 e dez vezes mais que o prejuízo anual médio do século XX.

Além de ter sido o mais quente nos Alpes desde que existem estatísticas a esse respeito (1753), o verão de 2003 foi excepcionalmente seco e não caiu nenhum floco de neve em junho, julho e agosto. Por outro lado, a neve do último inverno chegou muito carregada de areia do Saara, fenômeno muito habitual, mas o derretimento deixou na superfície das geleiras uma capa de areia de cor marrom, que absorve especialmente o calor e acelera a fusão da neve.

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