Bastaram 18 dias à frente do Ministério da Integração Nacional e duas horas de reunião de trabalho com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva para que o ministro Geddel Vieira Lima (PMDB) alcançasse seu objetivo mais urgente: tomar do PT o controle da Companhia de Desenvolvimento do Vale do São Francisco (Codevasf), que ele considera o "braço operacional" mais importante de seu ministério.
A autorização para tirar do PT o comando da Codevasf foi dada na quinta-feira a Geddel pelo próprio presidente, durante a reunião da Câmara de Gestão encarregada de cuidar do Rio São Francisco. O encontro mobilizou os ministros do Meio Ambiente, Marina Silva; da Casa Civil, Dilma Rousseff; da Secretaria-Geral da Presidência, Luiz Dulci; e de Relações Institucionais, Walfrido Mares Guia.
Desafiado a vencer as resistências de seu próprio Estado - a Bahia - ao projeto de transposição do São Francisco, Geddel apresentou a idéia de levar água a 1.800 vilarejos localizados a cerca de dois ou três quilômetros do rio, ao longo dos 5.000 quilômetros das margens esquerda e direita. - Toque esse projeto. Isto me sensibiliza muito - disse Lula a Geddel, segundo um dos presentes.
- Tiro dinheiro, nem que seja aqui da Presidência -. Foi a senha para que o ministro explicasse ao presidente que precisa dar a ele respostas políticas e de gestão, mas que para isto precisava fazer "algumas substituições". O ministro disse que faria as trocas com critério, respeitando competências técnicas. - Pois então faça - autorizou Lula.