A Alstom recebeu uma proposta firme de compra pela General Electric
A General Electric apresentou nesta quinta-feira uma oferta atualizada para comprar a unidade de energia e redes do grupo de engenharia francês Alstom, que irá incluir duas joint ventures em redes e energia renovável e uma aliança global nuclear. A GE disse que sua avaliação da Alstom permanece inalterada e que o acordo irá impulsionar imediatamente os resultados da companhia norte-americana.
"A aliança irá reter e fortalecer a presença da França no negócio de energia e reforçar a Alstom Transport. Criará empregos, estabilizará a tomada de decisões da matriz na França e garantirá que o nome da Alstom se fortaleça", disse o presidente-executivo da GE, Jeff Immelt, em comunicado. A GE acrescentou que a aliança nuclear que dará 50% de participação a cada uma das empresas terá uma participação do governo em ações preferenciais com poder de veto e outros direitos de governança sobre questões relacionadas à segurança e tecnologia de usinas nucleares.
Presidente-executivo da Alstom, Patrick Kron disse, nesta quinta-feira em conferência a investidores na Alemanha que a Siemens poderia "sonhar" com a troca de ativos com a empresa francesa, mas que uma decisão cabe aos acionistas. O conselho da Alstom terá de escolher até segunda-feira entre a oferta em dinheiro de 12,4 bilhões de euros (US$ 16,8 bilhões) pelo seu braço de energia propostos pela General Electric, oferta que ainda pode ser melhorada, e a proposta rival da Siemens e da japonesa Mitsubishi Heavy Industries (MHI).
As duas propostas são de naturezas muito diferentes: enquanto a Siemens levaria apenas o braço de turbinas a gás da Alstom e a MHI levaria participações minoritárias em outras atividades de energia, a GE quer toda a unidade de energia da Alstom, que inclui energia térmica, energia renovável e unidades de redes, responsáveis por 70% de sua receita. O envolvimento tanto da Siemens quanto da Alstom em escândalos políticos no Brasil não alterou o preço de face dos papéis das duas companhias. Fontes próximas à Alstom dizem que oferta da GE foi a única a ter força nesta fase, apesar de a Siemens defender que a sua proposta com MHI avalia o braço de energia da Alstom em 14,2 bilhões de euros, quase 2 bilhões de euros a mais do que a da GE.
– Eles querem as nossas atividades de gás... e nós devemos ter o seu negócio de transporte... Bem, eles estão autorizados a sonhar. No final do dia, apesar de algumas impressões em contrário, serão os acionistas que decidirão – disse Kron em seminário sobre investimentos oferecido pela Exane na quarta-feira, escreveu em nota a casa de investimento com sede em Paris.
Procurada, a Alstom não comentou o assunto.
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